Autoconhecimento

O conhecimento do mundo interno como princípio para uma melhor convivência

maio de 2026 - 3 min de leitura
Autoconhecimento

O conhecimento do mundo interno como princípio para uma melhor convivência

maio de 2026 - 3 min de leitura

Há muito tempo escuto a seguinte frase: “A convivência humana não é fácil”. E essa é, de fato, uma realidade facilmente comprovável por nós. Quantas dificuldades já não vivenciamos com os mais variados seres ao longo da vida? Quantos desentendimentos, brigas e até distanciamentos acontecem todos os dias? As guerras no mundo não são o resultado mais grave da falta de entendimento entre as pessoas?

Desde muito pequena, sempre senti que a convivência com os outros era um grande desafio para mim. Recordo de inúmeras situações de desentendimentos e brigas com minhas primas e amigas na escola, e do enorme sofrimento que tudo isso me causava. Nesses momentos, percebia com clareza que era eu  quem mais sofria e, muitas vezes, acabava isolada, chorando. Não entendia o porquê. Com o tempo, percebi que esse sofrimento permanecia forte dentro de mim. Nas relações com familiares e amigos, parecia que nada mudava. Eu sentia que essa realidade seria uma realidade constante na minha vida.

Ao tomar contato com a Logosofia, passei  a entender melhor como funciona o meu mundo interno, e isso foi fundamental para que algo começasse a mudar nesse sentido em minha vida.    

A Logosofia, ao introduzir o homem em seu próprio mundo interno, faz com que perceba o erro de insistir em atitudes que entorpecem seu desenvolvimento moral. Pouco a pouco, ele compreende quão nociva é essa postura e o valor de aplicar-se ao cultivo das qualidades que surgem espontâneas da alma, após o desarraigamento dos defeitos que a oprimem. Deficiências e Propensões do Ser Humano, p.15.

Desde que comecei essa incursão ao meu mundo interno, com a ajuda da  Logosofia, venho identificando pensamentos, deficiências e também virtudes. 

A Logosofia chama assim (deficiência) ao pensamento negativo que, enquistado na mente, exerce forte pressão sobre a vontade do indivíduo, induzindo-o de modo contínuo a satisfazer seu insaciável apetite psíquico. É o pensamento tipicamente dominante ou obsessivo, que, ao mesmo tempo que cumpre uma função totalmente prejudicial, tem tanta influência na vida do ser humano… Deficiências e Propensões do Ser Humano, p.17.

Ou seja, entendi que, para conviver melhor com os semelhantes, deveria começar por identificar, em mim, o que dificultava essa convivência e travar uma luta contra determinados pensamentos e deficiências que descobri em mim mesma, tais como a suscetibilidade e a impulsividade.  Além disso, deveria me empenhar no cultivo de algumas virtudes, tais como a equanimidade, a contenção e a simpatia.

Entendi, a partir de então, que esse seria um trabalho que me exigiria um querer profundo e um esforço contínuo, mas não há trabalho mais valioso e, já que venho experimentando, na prática, os benefícios dele tanto na convivência quanto em várias outras partes da minha vida.

É costume também dizer que “a convivência é uma arte”. Penso que realmente é. Assim como a arte exige esforço e dedicação do artista para criar uma obra bela, para convivermos bem com o próximo devemos nos empenhar no trabalho do próprio aperfeiçoamento, buscando em nós mesmos os pensamentos e deficiências que muitas vezes causam desavenças e desentendimentos. Além disso, precisamos nos dedicar a cultivar as virtudes que possibilitam uma convivência harmônica. Não há arte mais bela do que a de esculpir a si mesmo em busca desse autoaperfeiçoamento.


Um pensamento de

 Nayara Pinheiro Silva Moura
Nayara Pinheiro nasceu em Uberlândia- MG, é casada e possui 2 filhos. Graduada em Design de Interiores pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua como paisagista e empresária. Estuda e é docente da Fundação Logosófica de Uberlândia desde 2008.

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