Vida

Entre Duas Forças: a Jornada para Tornar-se Um

março de 2026 - 3 min de leitura
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Entre Duas Forças: a Jornada para Tornar-se Um

março de 2026 - 3 min de leitura

Desde cedo percebi que em mim conviviam duas forças lado a lado: uma voltada para o bem — marcada por sensibilidade, sincero propósito de acertar, gosto pelo estudo e dedicação ao trabalho — e outra que me fazia agir de modo impetuoso, manifestando-se em impaciência, ira e tendência ao exagero, entre outros aspectos. Essa dualidade me inquietava profundamente, pois, mesmo reconhecendo meus próprios excessos, eu não sabia como superá-los, e isso me deixava com aquela incômoda sensação de estar em “atraso de vida”.

Foi na juventude que tive contato com um axioma logosófico que me tocou profundamente:

Quem quiser chegar a ser o que não é, deverá principiar por deixar de ser o que é.” 

Li e reli essa frase incontáveis vezes. Ela parecia conter uma chave. Percebi, então, que o simples desejo de ser melhor não bastava — seria preciso trabalhar conscientemente sobre mim mesma. Aquilo que eu chamava de virtudes ainda era apenas semente, potencial que exigia cultivo. E os aspectos negativos, aprendi, não desaparecem por negação, mas por superação voluntária e paciente.

Esse foi o ponto de partida para o meu estudo de Logosofia. Com a aplicação do método logosófico, comecei a observar com mais lucidez os mecanismos da minha própria realidade psicoespiritual. Ao identificar os pensamentos que sustentavam reações negativas, pude, pouco a pouco, substituí-los por pensamentos conscientes, mais elevados, que passaram a reger minha conduta. Esse processo não é automático, nem linear. Mas, ao longo dos anos, os resultados vieram — e foram verdadeiras conquistas interiores. 

Posso afirmar que iniciei, com a Logosofia, a construção de minha individualidade — um ser que já não oscila incontrolavelmente entre o positivo e o negativo, mas que busca manter-se firme em princípios superiores. Como dito acima, ainda estou nesse caminho. Sei que não realizo essa tarefa de forma plena, mas hoje sou mais consciente de quem sou, do que quero construir em mim e do que devo deixar para trás. As pequenas superações que venho alcançando têm me mostrado que o trabalho interno é, sim, possível e enormemente transformador, e constitui uma das maiores alegrias que se pode experimentar.

As condições negativas que antes dominavam minhas reações ainda existem, mas perderam muito de sua força — felizmente! Aquele pêndulo interno, antes instável, tem se inclinado cada vez mais para o lado positivo, resultado de um esforço silencioso, paciente e sincero. E se antes eu me via dividida entre duas Julianas, hoje me reconheço como alguém em processo de unificação interior — um indivíduo, no sentido logosófico do termo: indivisível, consciente, em construção constante.

Essa edificação, segundo a Logosofia, representa a mais elevada realização da vida humana, o que implica, ao final, o desenvolvimento da espiritualidade. Posso dizer, com gratidão e verdade, que o que antes era apenas potencial em mim — uma riqueza adormecida — hoje começa a expressar-se como vida real, dinâmica, que beneficia não apenas a mim mesma, mas também os seres com quem convivo. E isso, para mim, é a maior riqueza de todas: a riqueza espiritual.


Um pensamento de

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