Recordo que, aos 17 anos, surgiu dentro de mim a vontade de fazer o bem à humanidade. Esse sentimento me levou a buscar uma forma concreta de realizar esse propósito. E como venho fazendo esse bem aos demais através da Logosofia?
Quando aqui cheguei, eu me tratava muito mal. Sentia um grande vazio que permitia a atuação de pensamentos que somente me afastavam desse propósito, deixando-me desestimulada e desorientada.
Quando fui conhecendo meus pensamentos e entendendo a causa das minhas tristezas, comecei a enxergar o que era real e o que era fantasia. Isso trouxe paz e alegria para a minha vida, e pude estender aos que me cercam compreensão, tolerância e amor, comprovando que o verdadeiro bem se inicia de dentro para fora.
Na Logosofia, aprendemos que os sentimentos são pensamentos que foram condensados no coração. Por isso, representam algo muito maior do que aquelas vontades que se manifestavam dentro de mim, ditando ordens, entristecendo-me e impelindo-me a fazer e falar coisas que eu não gostaria. Eu vivia como em uma montanha-russa emocional, ora muito bem, ora muito mal.
Habitualmente, confundimos pensamentos com sentimentos e vice-versa. Aqui aprendemos que os sentimentos são sempre bons e são eles que nos permitem tornar humanos. Ao cultivar sentimentos como alegria, gratidão, solidariedade, amor e outros, passamos a ser capazes de sentir, junto ao semelhante, suas dores e suas alegrias, estabelecendo com o outro uma vinculação para além do físico, um vínculo espiritual.
Há quatro anos, vivi uma situação bastante desafiadora. Um colega de profissão, conhecido de muitos anos, propôs que montássemos juntos um espaço de trabalho. Tomei a iniciativa de procurar um advogado para providenciar o contrato de locação, e combinamos que ele seria o fiador.
No entanto, naquela mesma semana ele me comunicou que não poderia assumir essa responsabilidade. Então, rapidamente acionei uma amiga que logo se prontificou a ajudar e aceitou ser a fiadora. Com o projeto pronto e a obra da sala iniciada, já com piso e paredes quebrados, perguntei a ele como faríamos a partilha dos custos. Foi aí que recebi uma notícia inesperada: ele me informou que não participaria mais da sociedade.
Eu tinha em mãos um contrato assinado, uma sala quebrada e um sócio desistente. Minha cabeça fervia. Diante daquele cenário, fui para casa para poder pensar, acalmando os pensamentos para encontrar a melhor solução… Após muitas sugestões de vários pensamentos, uns a favor e outros contra, decidi tocar a obra e montar a sala só para mim. E como me fez bem essa decisão de seguir em frente! Senti uma confiança em mim que poucas vezes havia sentido e aquela foi uma das melhores atitudes que já tomei na vida.
Ao direcionar a lanterna do conhecimento para dentro de mim, fui tornando sólido o que antes era volátil. Aos poucos, fui condensando o que era realmente importante em meu mundo interno. Passei a enxergar minha capacidade diante daquela dificuldade e vi surgir os verdadeiros sentimentos de amor à vida, amor ao meu semelhante e amor a Deus.
