Muito cedo na minha vida, deparei-me com questões difíceis de compreender. Ainda na adolescência, com a perda física de um ser muito próximo, amigo e amado, surgiram perguntas que me marcaram profundamente: se Deus existe e se tanto se fala em verdade e amor, por que nos sentimos abandonados nos momentos de dor e sofrimento? Por que vemos tanta intolerância e incompreensão entre as pessoas? Afinal, qual é o sentido da vida?
Essas perguntas não eram apenas teóricas; eram inquietações reais que buscavam compreensão. Foi então que, à luz dos conhecimentos que a Logosofia oferece, passei a perceber que essas três palavras — verdade, bem e amor — não são ideias isoladas, mas expressões de uma mesma realidade que se manifesta na vida.
Quando esses três princípios atuam juntos, nossas atitudes tendem a tornar-se mais conscientes e equilibradas. Quando se separam, porém, surgem distorções: a verdade sem amor pode tornar-se dura; o amor sem verdade pode perder-se em ilusões; e o bem, quando não está devidamente orientado pela verdade, pode produzir resultados contrários ao que se desejava.
Foi também à luz dessa compreensão que passei a olhar de outra forma para aquela perda que marcou minha adolescência. A Logosofia me ajudou a perceber que o ser humano não é recordado apenas por sua dimensão física, mas sobretudo pelo que foi como ascendente moral, intelectual e espiritual. Quando o corpo se vai, permanecem os pensamentos, os exemplos e o bem que ele deixou na vida de outros.
Assim, aquilo que verdadeiramente teve valor na vida de alguém não desaparece. Permanecem vivos os pensamentos elevados, os exemplos e as inspirações que continuam iluminando aqueles que os recordam.
Dessa forma, compreendo que meu pai vive — uma verdade que me outorga um bem e permanece no amor que nos uniu.
