Nunca me considerei uma pessoa confrontadora; sempre me vi como alguém mais passiva. Evitava conflitos e preferia o silêncio a entrar em embates ou fazer prevalecer minha opinião. Com o tempo, comecei a refletir se essa postura realmente expressava uma virtude ou se revelava, na verdade, uma falta de valentia. Surgiu, então, a pergunta: o que é ser valente? Seria o mesmo que ser corajosa, desafiadora ou alguém que enfrenta conflitos?
Antes de conhecer a ciência logosófica, eu costumava confundir a valentia com uma coragem cega, impensada e irrefletida. No entanto, venho aprendendo que a verdadeira valentia é sustentada pelo conhecimento e deve apoiar-se na responsabilidade individual. Assim, pude reconhecer que, em meu caso, tratava-se de temor e que eu precisava fortalecer meu valor individual. Compreendi que esse valor deve ser cultivado gradualmente, até que surja a inteireza – aquela disposição interna que estimula o ânimo e permite expressar-se sem embaraço
Percebi que o temor se manifestava em mim como um medo injustificável de expor minha opinião ou de enfrentar situações em que percebia um erro, especialmente quando isso poderia contrariar a opinião de outra pessoa. Dessa maneira, compreendi que aquela suposta virtude da passividade era, na verdade, uma deficiência: a timidez, expressa no complexo de temor e na falta de confiança em mim mesma. Após algum tempo de estudo logosófico, identifiquei que seria necessário enfrentar essa deficiência em um dos aspectos em que ela mais se manifestava em minha psicologia.
Recordo-me de um episódio em que fui resoluta ao manifestar minha opinião sobre determinado assunto. A reação do outro foi negativa e até um pouco agressiva, pois minha intenção foi mal interpretada como um ataque pessoal. Senti-me abalada e, por algum tempo, decidi não mais expor meu ponto de vista. Entretanto, com o estudo e a reflexão logosófica, compreendi que permanecer indiferente diante de um erro que afeta outras pessoas é também uma forma de omissão — e que isso não estava certo.
Algum tempo depois, surgiu nova oportunidade de exercer a valentia. Em uma conversa, o mesmo tema voltou a ser abordado, e percebi que uma opinião parcialmente equivocada começava a prevalecer no grupo. Diante disso, decidi manifestar-me novamente, conduzindo a conversa para reflexões mais amplas e justas. Sabia que enfrentaria certa suscetibilidade no outro, mas senti-me serena e confiante, pois, internamente, reconhecia que estava fazendo o correto.
Durante minha fala, observei a reação negativa do outro, ainda que contida. Abalei-me um pouco, mas mantive a firmeza e, ao concluir, reforcei, em meu interno, a convicção de ter agido conforme minha consciência. Foi uma pequena vitória — um passo importante na construção do valor individual que venho desenvolvendo.
