Sempre quis ser livre. Quando criança, queria ser como os pássaros que voam livremente. Na adolescência, pensava como deveria ser boa a vida adulta, podendo ir e vir sem prestar contas a ninguém e comprar tudo o que quisesse.
Eu morava em uma cidade pequena e imaginava que as pessoas na cidade grande eram mais livres, com tantas opções de lazer e oportunidades sem fim.
Doce ilusão: junto com esse poder, que é limitado pelo tempo e pelo quanto se ganha, vêm as obrigações e as dificuldades. Nas grandes cidades, existem inúmeros fatores que restringem a liberdade: as distâncias, a pressa, a violência, a indiferença e muitos outros.
E assim me tornei adulta. Tinha um bom trabalho, me casei, tive um filho e morava em uma grande cidade. Ainda assim, a sensação de que me faltava liberdade continuava, agora acompanhada por um vazio inexplicável.
Pensei que talvez precisasse modificar alguma coisa dentro de mim e comecei a buscar uma forma de fazer isso. Fui a vários lugares, conheci muitas coisas novas, mas, em pouco tempo, constatava que ainda não havia encontrado o que precisava.
Passei por um processo de preparação e, finalmente, pude participar dos estudos e de todas as atividades. Eram tantas novidades e tantos conceitos que tocavam profundamente o meu mundo interno que, durante um bom tempo, esqueci que estava procurando a liberdade. Também já não sentia aquele vazio que me acompanhara por tantos anos.
Há um trecho de um artigo que se intitula A Liberdade, Princípio e Fundamento da Vida, escrito pelo autor da Logosofia, que diz o seguinte:
A liberdade é prerrogativa natural do ser humano. Como espécie superior a todas as que povoam o mundo, o homem nasce livre, embora disso não se dê conta até o momento em que sua consciência o faz experimentar a necessidade de exercê-la como único meio de realizar as funções primordiais da vida e o objetivo que cada um deve atingir como ser racional e espiritual. Mas é necessário saber que a liberdade é como o espaço, e que depende do ser humano que ela seja, também como ele, mais ampla ou mais estreita. PECOTCHE, Carlos Bernardo González (Raumsol). Coletânea da Revista Logosofia – Tomo II, p.205.
Penso que o trabalho que o método logosófico me levou a realizar, ainda que de forma incompleta – pois se necessita de muito, muito tempo para completá-lo – já me permitiu experimentar um pouco dessa liberdade interna. Sinto que isso se deve ao fato de estar iniciando a realização das funções primordiais da vida, por meio do processo de evolução consciente que a Logosofia ensina a realizar.
