Comportamento

Um vulcão em extinção

fevereiro de 2021 - 3 min de leitura
Comportamento

Um vulcão em extinção

fevereiro de 2021 - 3 min de leitura

Quando ainda muito jovemacreditava em um velho ditado, talvez conhecido por você, leitor, de que “pau que nasce torto morre torto”. Mas o que para muitos poderia passar como um mero dito popular, para mim parecia ser uma injusta projeção de meu futuro.

Por que eu não podia mudar? Por que teria que viver exatamente da mesma forma a vida toda? Eram perguntas que me incomodavam, mas eu não fazia ideia de onde encontrar suas respostas. Tinha que conviver então com a sensação de impotência e de condenação, que me fazia supor um destino de irreversível fracasso na convivência. 

No trato com meus mais achegados (e os nem tão achegados também), não era incomum sentir que, de dentro de mim, a qualquer momento pudesse explodir um vulcão que, sem razão aparente, me fazia reagir totalmente sem controle sobre minhas atitudes e palavras.

Eu não sabia conter essas explosões, e quando ocorriam, a lava que saía queimando deixava depois seu lastro de prejuízo em meus sentimentos e uma sensação desconfortável de tristeza pela forma como eu tinha ferido os vínculos com seres queridos. 

Como mudar?

Tempos se passaram convivendo com essa fúria, até que certo dia descobri conhecimentos que me ajudariam a aprender mais sobre essa “geologia interna que tanto me fazia mal. 

Guiada pelas páginas dos livros, e com muita observação e estudo, descobri o nome do tal vulcão, suas causas, comse agitavam seus movimentos até chegar à explosãoEle possuía características de arrebatamento e irreflexão no que me provocava. 

Fui aprendendo então o que devia fazer, qual antídoto aplicar para debilitar a força daquela característica, até chegar, um dia, a neutralizá-la completamente em meu temperamento.  

Nesta investigação, descobri, porém, que era uma característica que tinha trazido comigo e, portanto, de que não me livraria com poucos esforços. Teria que me empenhar muito para chegar a não permitir que afetasse minha paz interna. 

Munida de perseverança, fui aprendendo a exercitar em minha mente o pensamento antídoto da contenção, e, aos poucos, conseguindo usá-lo para imobilizar a característica negativa antes que explodisse, impedindo que descarregasse seus arrebatamentos e conturbasse meus estados de ânimo. 

Pau que nasce torto morre torto?

Hoje, comparando a forma como me conduzo em determinadas situações com as reações que experimentava antes, considero que o tal vulcão já está sob controle. E só isso já é motivo de muita alegria! Quantas energias psicológicas e quantos afetos têm sido poupados com o que aprendi, e quanta liberdade sinto por não experimentar mais a sensação do vulcão se armando dentro de mim para entrar em erupção! 

Noutro dia, vivi mais uma prova dessa conquista quando tive a oportunidade de assistir a um desses momentos em outra pessoa, e enquanto o observava naquele embate com seus pensamentos impulsivos, me transportei para o passado, recordando quando apenas estar presente numa cena daquelas já era motivo suficiente para que o meu vulcão começasse a se mexer

 pude constatar, com muita alegria e gratidão aos conhecimentos que venho alcançando, que não só não experimento mais aquele contágio, como ainda posso utilizar as energias, que antes seriam consumidas por aquelas labaredas mentais, para serenamente observar e aprender mais sobre o que acontece na minha mente, e quanto tenho podido me superar e me libertar, com o que vai se constituindo no conhecimento de mim mesma!   

Enfim, consegui provar com a minha vida o que aquela jovem acreditava impossível: pau que nasce torto não está condenado a morrer torto 


Um pensamento de

 Sheyla Soares
Sheyla Soares nasceu no Rio de Janeiro - RJ, é casada, possui dois filhos e dois netinhos, no momento. Graduada em direito pela UFRJ, no momento já se encontra aposentada. Estuda e é docente da Fundação Logosófica no Rio de Janeiro desde 1976.

Você também pode gostar

Comportamento

Como fazer da vida um laboratório

Como neutralizar uma deficiência? Será que a necessidade de me manter em silêncio, por incapacidade física de verbalizar o que pensava ou sentia, colocaria um freio natural em uma ou outra defici...

Comportamento

Transmitindo conhecimentos de geração a geração

Nesse artigo, você testemunhará a felicidade que a autora, Marília, pode sentir ao ver repassados na sua família conhecimentos da mais alta hierarquia! Ao corrigir, junto com seu esposo, suas pró...

Comportamento

Como reconhecer e sentir gratidão por ter um pai

Neste artigo, Roseli Liméres nos relata sobre a grande oportunidade que teve de conhecer Raumsol, seu mestre e pai espiritual. Ele veio para ensinar a humanidade a evoluir e o seu grande amor nos faz...