Certo sábado, minha filha me pediu que a levasse a uma festa de aniversário. Alguns amigos dela também iriam conosco, de carona.
Nessas ocasiões, meu marido e eu temos o costume de ir sempre juntos para levá-la; entretanto, nesse dia, ele estava deitado, e eu me prontifiquei a levá-la sozinha.
Ao colocar o endereço no Google Maps, vimos que o local da festa era distante. Iniciei o trajeto e, com o passar do tempo, fui percebendo que o caminho estava se tornando desconhecido. Em certo momento, entrei numa rodovia totalmente vazia, sem nenhuma propriedade por perto.
Minha filha logo sugeriu que parássemos e chamássemos o pai para que ele nos acompanhasse. Eu, com uma serenidade forçada, disse-lhe que não seria necessário, pois, além de ser motorista há muitos anos, com o aplicativo conseguiríamos chegar ao endereço e daria tudo certo.
No entanto, mesmo aparentando estar tranquila e valente, observei tudo o que acontecia em minha mente. O pensamento de temor entrou com muita força, assumindo todo o espaço mental e inserindo várias afirmações para me amedrontar, como: “você nunca dirigiu em rodovia… e, nesta, ainda não há ninguém… Imagina se acontecer algo… você é a única adulta com vários adolescentes…”
Aquela experiência estava possibilitando que eu enxergasse algo que estava dentro de mim, mas de uma forma bem oculta. Eu nunca tinha presenciado com tanta clareza e atenção a presença daquele pensamento tão desmotivador. Porém, o conhecimento logosófico que adquiri ao longo dos meus estudos estava me permitindo assistir àquela cena e reunir elementos para mudar a realidade.
Diante daquele cenário mental, instituí um pensamento firme de valentia e defini, para mim mesma, que atuaria com serenidade e manteria bastante atenção no caminho, pois logo teria que retornar para casa sozinha.
Fui conversando com os meninos, passando-lhes tranquilidade, e assim chegamos até o local da festa.
Quando eles saíram do carro, pensei com firmeza: agora vou voltar para casa sozinha, tranquila, sem nenhum temor.
Minha filha quis se manter em ligação comigo até que eu chegasse em casa. Ela estava preocupada. Fiz questão de deixá-la em ligação, especialmente para valorizar seu pensamento de atenção e cuidado em relação a mim.
Posso dizer que foi uma experiência instrutiva, pois permitiu que eu observasse todo o movimento de ação do pensamento de temor dentro de mim, algo que eu não sabia que existia na minha mente. O conhecimento logosófico possibilitou, além de visualizá-lo, modificar o curso de sua ação, transformando o momento. Senti gratidão aos recursos logosóficos que já assimilei.
