Por que e para que ensinar a pensar desde a infância?
A pedagogia logosófica, baseada nos fundamentos da Logosofia, ensina a pensar desde a primeira infância, buscando educar para a vida e para seus mais elevados fins. Procura despertar nos seres a vontade de superar-se e de contribuir para a construção de uma humanidade mais consciente de suas responsabilidades, colaborando para a formação de um mundo melhor.
E, quanto antes se começar, melhores resultados se alcançam para toda a vida.
Ao centralizar a ação pedagógica no “ensinar a pensar”, surge a pergunta: pensar em quê? E aí entram os conhecimentos que esta inovadora pedagogia oferece para a capacitação de pais e educadores. Citando alguns:
– Analisar, junto à criança, as experiências que ela vivencia, extraindo elementos úteis para seu aprendizado e ajudando-a a lidar com suas próprias dificuldades;
– Ao aprender, desde a infância, a extrair elementos construtivos das experiências que vive, a criança desenvolve um mecanismo que facilitará a resolução de problemas maiores na vida adulta;
– A partir das experiências que vivencia, a criança aprende a buscar a superação das atitudes que lhe causaram algum sofrimento, evitando repeti-las no futuro e criando pensamentos-defesa;
– A criança deve aprender a fazer escolhas mais acertadas, escolhendo pensamentos que a ajudem a fazer o bem a si mesma e aos outros, e a sentir alegria por isso;
– Colocar-se no lugar da criança, ouvindo-a com sensibilidade e atenção;
– Fazer perguntas sobre o que a criança traz, fazendo-a refletir, capacitando a sua incipiente inteligência a começar a se mover em busca das respostas para suas experiências;
– Ampliar o entendimento da criança, explicando de forma clara tudo o que ela tenha dificuldade de compreender, considerando que sua razão ainda está em desenvolvimento e que a ação docente deve respeitar esse processo.
A pedagogia logosófica nos ensina que só podemos oferecer aos demais aquilo que possuímos – o que, por certo, parece lógico. Para educar uma criança não é diferente: precisamos nos capacitar para realizar tão transcendente ação docente, começando por desenvolver os seguintes elementos em nossa vida interna, como pais e educadores:
– Aprendendo a identificar, selecionar e escolher os melhores pensamentos para a nossa vida;
– Aprendendo a extrair das experiências que vivemos um conhecimento útil para orientar nossas ações futura;
– Aprendendo a escutar a nós mesmos – “o que estamos pensando, o que estamos sentindo?”–, realizando o exercício de buscar responder às perguntas que a vida diariamente nos apresenta.
Aqui está um exemplo de como ensinar a pensar, buscando a superação da própria conduta:
Educador: Vi que você ficou chateada quando seu amigo não quis brincar. O que você acha que aconteceu?
Criança: Eu empurrei ele sem querer…
Educador: E como você acha que ele se sentiu quando isso aconteceu?
Criança: Acho que ele ficou triste.
Educador: O que você poderia fazer agora para melhorar isso?
Criança: Posso pedir desculpa.
Educador: Boa ideia! E o que você pode fazer da próxima vez para evitar empurrar seu amigo?
Criança: Lembrar que gosto dele e não quero ver ele triste.
Educador: Ótimo! Vamos tentar, eu te ajudo.
E assim vai-se conduzindo a criança a pensar sobre sua conduta, movendo sua sensibilidade e suas faculdades inteligentes – observação, reflexão, entendimento, etc. – para que produza um pensamento próprio e desenvolva um entendimento que a leve à superação na convivência com os outros.
Tenho encontrado na prática diária da sala de aula o que González Pecotche nos traz: “a pedagogia logosótica, ao mesmo tempo que ensina, faz feliz”.
