A Pedagogia Logosófica possui vários diferenciais e, para mim, o conceito de correção foi um dos que mais me moveu interna e externamente, e que imediatamente pude aplicar com minhas filhas.
Vou compartilhar uma vivência que tive com minha filha mais velha quando ela tinha sete anos. Na escola dela, há um gramado grande em que as crianças adoram brincar, porém não é permitido que elas o façam depois da aula, pois não há um adulto para acompanhar e evitar que se machuquem.
Ela tinha uma colega que, todos os dias, ficava convidando e insistindo para que minha filha e outra colega a acompanhassem até lá. E assim aconteceu algumas vezes, até que um dia a inspetora foi dura e, em tom de ameaça, pediu para que não fossem mais lá naquele horário, dizendo que seria o último aviso.
Ela veio para casa bem triste com o episódio. Conversamos bastante sobre as causas daquela situação e, então perguntei o que ela diria para a colega caso fosse convidada novamente a ir ao gramado. Então ela me disse que pensava que a colega não faria mais isso. Conhecendo um pouco sobre como funcionam os pensamentos, insisti para que ela se voltasse para dentro, pensasse nessa possibilidade e preparasse suas próprias respostas para o caso de a colega vir novamente com o convite. Normalmente, o adulto costuma apontar para a criança o que ela deve dizer ou como deve resolver as situações, o que muitas vezes acaba tirando a oportunidade de a criança pensar por si mesma e encontrar suas próprias soluções.
Bem, eis que no dia seguinte a colega veio convidá-la para irem ao gramado outra vez. Então perguntei o que ela havia dito à garota. Ela respondeu: “Você esqueceu que a inspetora falou pra não irmos mais lá, que é perigoso à noite?” A colega disse: “Ah, eu já tinha esquecido!” (o que mostra que o tom mais duro e ameaçador da inspetora não resolveu o problema).
Aí ela continuou: “Aí eu disse para ela que não queria mais ir lá fora do horário. Que ir no gramado era muito bom, mas que eu ficava mais feliz em fazer o que era certo”.
Essa resposta foi construída por ela, fruto de suas observações e de seus movimentos mentais e sensíveis, na busca por resolver aquela situação.
Para finalizar, gostaria de destacar que, seja essa correção comigo mesma ou com a criança, ela deve ser feita com afeto e respeito, estimulando três coisas:
1 – Perceber o erro (isso nem sempre é tão evidente, principalmente para a criança).
2 – Identificar a causa que levou a esse erro, ou seja, compreender por que errou.
3 – Despertar a vontade de mudar e reparar o erro.
Quando se percorrem esses três passos no processo de correção, o erro passa a ser visto como uma oportunidade de redenção e superação.