Você já programou uma viagem com amigos ou parentes para um lugar que gostaria muito de conhecer e, no meio da viagem, percebeu que se sentia irritado com um, impaciente com outro, intolerante, deixando o ambiente pesado e nada pacífico, a ponto de que aquilo que deveria ser uma experiência feliz acabar se tornando um pesadelo?
Eu não queria isso para mim. Então, ao planejar uma viagem muito especial com pessoas especiais, busquei, de forma consciente, adotar elementos que me protegessem de pensamentos de intolerância, impaciência, etc.
Viver essa experiência me fez perceber que é possível ter domínio sobre aquilo que se quer viver – e isso, para mim, é um grande poder.
Na mente, na mala e no coração…
Esse foi o título de um registro que fiz em meados de 2025, durante uma viagem que programei nos mínimos detalhes, pensando em tudo o que queria viver.
Meu objetivo era claro: viver algo grande ao lado da minha mãe, de 87 anos, e das minhas irmãs e tias.
Além dos aspectos práticos, nessa viagem queria viver intensamente aquela experiência, consciente de que seria única.
Então decidi acrescentar na mala alguns pensamentos e ensinamentos da sabedoria logosófica, que queria colocar em prática. Dentre eles, o seguinte:
Foram 3.000 km de elevada conversa! E tudo isso de carro, rumo à Argentina!
Durante os preparativos, fiz alguns registros:
- O objetivo da viagem, para mim, será conseguir estar atenta e perceber os pensamentos que atuam em minha mente.
- Quero criar um ambiente elevado, cheio de afeto.
- Incentivar todos a refletirem sobre a vida, sobre o aspecto não apenas físico da experiência que vamos viver.
- Tentar fazer tudo com gosto, sendo natural.
- Praticar a imperturbabilidade.
É possível perceber que enfrentei alguns desafios!
Durante a viagem, também registrei:
- O ambiente está agradável, tanto interno quanto externo.
- Hoje precisei expulsar um pensamento da minha mente.
- Estou muito conectada com meu mundo interno, observando movimentos, reações, pensamentos e sentimentos.
- A González Pecotche, criador da Ciência logosófica, agradeço por ter me ensinado que, ao mudar os pensamentos, mudamos a vida!
Durante a viagem, conversamos sobre muitas coisas…
Sobre a pressa em conquistar o que se quer. Minha mãe manifestou que, quando se quer comer milho, é preciso plantar, esperar a semente germinar, ver a planta crescer, dar o fruto e só depois colher. Acrescentei que a natureza não dá saltos, como ensina a Sabedoria Logosófica.
Falamos também sobre a beleza das paisagens, sobre a sabedoria de Deus e sua relação com a natureza; sobre o vento, que não se vê, mas se sente, e que gera energia eólica – criação do homem com a força da natureza; sobre afeto, amor, filhos, netos, família, união e sobre o movimento que se deve fazer para estar junto dos seres que amamos; sobre rancor, erros, acertos, bem e mal; sobre desprendimentos; sobre respeito, confiança e simpatia. Compartilhei, então, minhas reflexões sobre os elementos que sustentam a amizade.
Senti que me esforcei para não viver apenas uma experiência física, mas também para estar atenta o tempo todo aos movimentos do meu mundo interno. Ao final da viagem, ouvi da minha tia que tudo na vida tem um começo, um meio e um fim. Tenho entendido que essa vivência estará sempre viva dentro de mim e que posso acessá-la sempre que quiser. Assim, penso que ela não possui um fim. Porque ela vive em mim!
Após a viagem, me fiz a pergunta: Se tudo passa, o que fica?
- Com certeza, ficam as sensações, os sentimentos gerados pelas experiências gratas e vividas de forma consciente;
- Fica a atuação acertada, realizada também conscientemente;
- A felicidade de conseguir trocar um pensamento ruim por um bom;
- A capacidade de sentir gratidão pela vida e por tudo que ela nos oferece;
- Fica o amor pelas pessoas, o afeto, a simpatia e o vínculo fortalecido.
Fiz a mesma pergunta às minhas companheiras de viagem. Elas disseram que, mais do que o material, o que fica, com certeza, é a felicidade que está dentro da gente.
Para a Logosofia,
Permanecer no presente, dominando ao mesmo tempo o passado e o futuro, é ter verdadeira consciência da vida, sabê-la viver e desfrutar, e saber ampliá-la ilimitadamente. Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.441.
