Autoconhecimento

Quando a vida se revela ao olhar que contempla

maio de 2026 - 3 min de leitura
Autoconhecimento

Quando a vida se revela ao olhar que contempla

maio de 2026 - 3 min de leitura

A alegria de viver, para mim, tornou-se uma experiência cada vez mais profunda desde que a Logosofia passou a iluminar meu caminho interno. Antes, eu vivia como quem atravessa uma paisagem bela sem saber realmente vê-la: percebia formas, cores, sons, mas não compreendia o sentido que pulsava por trás de cada manifestação da vida. Foi a Logosofia que me ensinou a contemplar — e contemplar, descobri, é participar conscientemente do que se realiza.

Aprendi que só se contempla aquilo que foi realizado, seja por mim, seja pelo Criador. Essa compreensão abriu em mim uma porta silenciosa, por onde passei a enxergar o mundo com um olhar mais lúcido e mais sensível. Hoje, quando observo o mar, sinto que ele me fala. Suas ondas, que avançam e recuam sem cessar, revelam-me a sabedoria do movimento contínuo e da renovação constante. Quando vejo uma flor desabrochar, percebo que ali se cumpre um propósito perfeito, e essa perfeição me inspira a buscar a minha própria realização. O canto de um pássaro, que antes eu ouvia apenas como um som agradável, tornou-se para mim a expressão pura de uma alegria que nasce do simples fato de existir. E o sorriso de uma criança — tão espontâneo, tão verdadeiro — recorda-me que a inocência não é uma lembrança distante, mas uma possibilidade viva dentro de mim.

A Logosofia também me ensinou a distinguir as alegrias. A efêmera, percebi, nasce de ilusões, comparações e pequenas vaidades que se desfazem como poeira ao vento. É uma alegria que não se sustenta porque não tem raiz; já a alegria sublime brota da contemplação das realizações — das minhas e das que me cercam. Ela nasce quando reconheço um avanço interior, quando percebo que superei uma limitação que antes me aprisionava. Nasce quando contemplo o ideal que escolhi seguir e sinto que, mesmo imperfeito, caminho em direção a ele. Nasce quando encontro no olhar da pessoa amada o reflexo de algo que construímos juntos, algo que também é realização.

E há uma alegria ainda mais terna, mais íntima, que a Logosofia me ensinou a valorizar: a alegria de contemplar meus netos crescerem. Ver cada um deles se encaminhar pelo caminho do bem, da verdade e do amor é como assistir a uma obra em constante aperfeiçoamento. Cada gesto de bondade, cada descoberta, cada pequena vitória deles me revela que a vida continua a se realizar através das novas gerações. Contemplar esse crescimento não é apenas observar: é participar, é reconhecer que algo do que plantei floresce agora neles. É sentir que o tempo, longe de ser perda, é continuidade.

Hoje, compreendo que a alegria de viver não está fora de mim. Ela nasce no instante em que aprendo a ver — a ver de verdade. A Logosofia me ensinou que contemplar é um ato de consciência, e que a consciência, quando desperta, transforma tudo o que toca. Assim, cada paisagem, cada gesto, cada pensamento amadurecido, cada olhar que encontro, cada neto que cresce, tudo se converte em fonte de uma alegria serena, profunda, que não depende do acaso, mas da minha capacidade de reconhecer o valor do que existe e do que se realiza.

E é nessa contemplação — lúcida, amorosa, participante — que encontro, dia após dia, a verdadeira alegria de viver.


Um pensamento de

 Abenides Afonso de Faria
Abenides Afonso de Faria nasceu em Sacramento-MG, é casado e possui 3 filhos e 5 netos. Graduado em Ciências contábeis e Administração, estuda e é docente da Fundação Logosófica na sede do Paraíso – São Paulo desde 1975.

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