Sempre busquei melhores condições de vida — melhores resultados profissionais, afetivos e pessoais. No entanto, ao longo dessa trajetória, percebo que muitas vezes essa busca esteve apoiada em oportunidades circunstanciais, em expectativas externas e em critérios que não eram propriamente meus. Eu olhava através dos olhos de terceiros e utilizava réguas que mediam os outros, e não a mim mesmo.
O desejo de ser bom em qualquer área em que estivesse presente me acompanha desde a adolescência. Em diversas oportunidades, consegui realizar esse intento, superando-me e buscando fazer algo melhor do que vinha sendo feito. Havia empenho sincero e esforço contínuo. Contudo, ao refletir com mais profundidade, compreendo que grande parte desses movimentos era reativa: eu aguardava os acontecimentos que a vida me apresentava e respondia a eles. Minhas ações eram respostas conscientes, mas não iniciativas deliberadas.
Por serem reações e não ações orientadas por um propósito claro, esses movimentos eram esporádicos e, na maioria das vezes, não geravam uma melhora consistente em minha vida. Eu sabia que me esforçava, mas os resultados não eram expressivos o suficiente para concretizar meu desejo de ser melhor. Faltava algo que desse direção ao meu esforço.
Foi então que, por intermédio de um amigo, conheci a ciência logosófica. A partir dos estudos, comecei a perceber que as lentes pelas quais eu estabelecia meus propósitos, em grande parte, não eram minhas. Muitas metas haviam sido incorporadas sem um exame profundo de sua origem. Esse processo de estudo me conduziu ao autoconhecimento: passei a observar com mais atenção o que pensava e sentia ao longo dos dias.
Percebi que um pensamento pode nortear toda uma forma de viver. Mais do que isso, compreendi que tenho a possibilidade de intervir conscientemente sobre os pensamentos que cultivo. Essa percepção representou uma mudança significativa. Se o pensamento orienta a conduta e influencia os resultados, então cabe a mim selecionar aquilo que desejo fortalecer em minha vida.
Conforme afirma GONZÁLEZ PECOTCHE:
Quando o ser pensa, é consciente também de que está elaborando em sua mente um pensamento que, ao nascer, levará ao externo a própria representação, o próprio conceito, atribuindo a este fato uma importância fundamental, porquanto sabe que os seres são julgados, em princípio, pelos pensamentos que têm: se estes são bons, serão considerados bons; se são maus, serão julgados como tais. (Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.396)
Ao entender esses processos, iniciei um exercício de seleção consciente dos pensamentos que gostaria de cultivar. Compreendi que a felicidade não é um acontecimento isolado, mas sim um conjunto de alegrias acumuladas ao longo da existência. Essas alegrias decorrem de resultados positivos, os quais, por sua vez, exigem uma conduta alinhada aos objetivos que estabelecemos.
Pode parecer óbvio que, para escalar um monte, seja necessário traçar uma rota e caminhar. Porém, percebi que muitos dos montes que eu buscava escalar não eram verdadeiramente meus. Além disso, as rotas que seguia haviam sido traçadas segundo critérios que não refletiam minha individualidade. Faltava autenticidade tanto aos objetivos quanto aos caminhos escolhidos.
O primeiro movimento transformador foi conhecer-me melhor. Em seguida, compreendi que nenhum pensamento resiste a uma conduta em desacordo. Se busco ser melhor e cultivar pensamentos elevados, preciso agir em coerência com eles. Caso contrário, instala-se um desalinhamento que compromete qualquer progresso. Foi nesse ponto que comecei a mensurar resultados mais concretos. Ao alinhar minhas ações aos pensamentos que escolhi conscientemente cultivar, passei a perceber avanços consistentes.
Hoje compreendo que a busca pelo aperfeiçoamento é constante. Sempre haverá algo a melhorar. Entretanto, trilhar esse caminho não precisa ser penoso ou desalentador. Ao contrário, pode ser estimulante, alegre e sustentado pela boa vontade. Esses elementos, aprendidos por meio da Logosofia, tornaram-se pensamentos que me auxiliam diariamente na construção de uma vida mais consciente.
Assim, entendo que o verdadeiro progresso não reside apenas no desejo de ser melhor, mas na coerência entre o que penso e o que faço. Quando pensamento e ação caminham juntos, os resultados deixam de ser ocasionais e passam a refletir uma construção consciente e contínua.
