Educação

Caridade e generosidade na arte de ensinar e aprender.

abril de 2026 - 8 min de leitura
Educação

Caridade e generosidade na arte de ensinar e aprender.

abril de 2026 - 8 min de leitura

Ao dar a conhecer seus ensinamentos, a Logosofia manifesta que existe uma imensidão desconhecida para o homem, na qual este deve penetrar. Dá a conhecer, além disso, enquanto se interna nessa imensidão, que é a Sabedoria, isto é, enquanto aprende, pode também ensinar. Porque a arte de ensinar consiste em começar ensinando primeiro a si mesmo, ou, dito de outro modo, enquanto de uma parte o ser aprende, aplica de outra esse conhecimento a si mesmo e, ensinando a si mesmo, sabe depois como ensinar aos demais com eficiência. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259)

 

Essa arte de ensinar e aprender vem desde o início da história humana. A natureza foi nossa primeira mestra, como ensina o autor da Logosofia. Tudo o que existe hoje foi inspirado na natureza, mas eu me questiono: e se quem observou e aprendeu com essa mestra não tivesse sido generoso? E se tivesse guardado somente para si suas descobertas? Hoje desfrutaríamos de tantas tecnologias, de tantos medicamentos que nos trazem qualidade de vida, de tanto conforto – do qual, por vezes, até abusamos?

 

 Aí está o segredo da felicidade. O conhecimento só se fixa no meu interno quando sou generosa ao ensinar o que aprendi, ao compartilhar o benefício que isso me trouxe. 

 

A Logosofia ensina que

quando se aprende deve-se sempre situar a si mesmo na posição mais generosa, qual seja a de aprender sem mesquinhez, a de aprender para saber dar, para saber ensinar, e não com objetivos egoístas, fazendo-o para usufruto próprio, exclusivo, que é, em último termo, a negação do saber. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259) 

 

Tudo o que não reparto, morre em mim, pois “Quem é generoso ao aprender, é generoso ao ensinar… (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259)

 

Estudei uma língua estrangeira por muitos anos. Chegou um momento em que já havia percorrido todos os cursos disponíveis em minha cidade e  fiquei um tanto desorientada. Foi quando resolvi ensinar às crianças do condomínio onde moro a língua que havia aprendido.

 

Foi uma experiência intensa de ensinar e aprender. Percebia que, ao ensinar, o conhecimento se consolidava em minha mente, principalmente quando era desafiada pelas perguntas das crianças. Muitas vezes, precisava pesquisar aquilo que não sabia –  e, assim, acabava ampliando meu aprendizado. Então comprovei que quanto mais sei, mais percebo o quanto ainda me falta aprender. E isso me deixa muito feliz, pois reconheço aí a atuação de uma lei – a Lei de Evolução – que só se cumpre quando atuamos com generosidade.

 

      O mesmo ocorre com o conhecimento transcendente, pois qual é o maior propósito de aprender algo senão usufruir dos benefícios desse conhecimento e transmiti-lo ao próximo, compartilhando os resultados obtidos por sua aplicação na própria vida, para que este prossiga com o aprender e o  ensinar?

 

Como penetrar nessa imensidão interna para conhecer a si mesmo e aprender a enxergar este universo que espera pela oportunidade de evoluir através do saber? Como deixar de viver inconscientemente, de ser guiado por outras mentes que não a própria, e passar da simples crença ao conhecimento nascido da experiência? 

 

Como acender essa luz na mente do semelhante, para que ele também desperte para a busca de conhecer um pouco mais a si mesmo?

 

Certa vez, um menino veio pedir dinheiro no estacionamento de um supermercado. Parei para conversar com ele. Olhei bem em seus olhos e o fiz observar sua condição: ele era saudável e capaz de realizar qualquer trabalho compatível com sua idade, como entregar jornal, engraxar sapatos e muitos outros serviços que nossa cidade oferecia por meio da Prefeitura. Não lhe dei dinheiro e disse que, se trabalhasse, não precisaria pedir. Poderia comprar seu alimento fresco, sem ter que se sujeitar a comer qualquer coisa que lhe dessem. Poderia, assim, tornar-se um cidadão respeitado,    e não um pedinte. 

 

Na próxima semana, encontrei-o novamente, e ele veio correndo me oferecer o jornal que estava vendendo. Comprei um e paguei dois. Ele me olhou, sem entender. Disse-lhe que agora ele não estava pedindo, mas trabalhando, e que por isso merecia ser recompensado. Ele saiu muito feliz. 

 

Com o passar do tempo, passei a vê-lo trabalhando com o uniforme de uma empresa, como office-boy. Comoveu-me muito vê-lo mudando a trajetória de toda a sua família, pois ele havia quebrado o ciclo, entendendo que era capaz de evoluir. Certamente, sua futura família não viveria mais na condição de mendigos.

 

A Logosofia ensina a fazer da própria vida o objeto de estudo – “estudar o que experimenta e experimentar o que se estuda” -, pois como posso ensinar aquilo que ainda não aprendi, não experimentei e não comprovei como verdade contida no conhecimento e, do qual, consequentemente, não sou exemplo?

 

…tratando-se do conhecimento transcendente, que é o que guia para o aperfeiçoamento, não se pode ensinar o que se sabe, se, ao fazê-lo, não vai refletida, como uma garantia do saber, a segurança que cada um deve dar com seu próprio exemplo. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259)

 

Assim, quando realizo meu processo de evolução consciente, como ensina a Logosofia, observo antes de tudo minha conduta, para que ela seja exemplo de virtudes, bem como de esforço em identificar as deficiências que depõem contra mim mesma, tornando-me exemplo de um ser humano que não é perfeito, mas que está numa luta constante contra a parte de si que ainda não alcançou a evolução almejada.

 

Se não sou exemplo do que falo, como posso realmente tocar o interno de quem ensino?

 

Um familiar estava gastando muito tempo no celular. Eu não queria importuná-lo a toda hora pedindo que diminuísse o uso, mas gostaria muito que o fizesse. Porém, recentemente me flagrei distraída e perdi mais de meia hora no celular, e então percebi que não poderia pedir a ele algo se eu mesma não estava sendo exemplo. 

 

E por isso tantas experiências acabam se frustrando por esse motivo. 

 

Outro ensinamento da ciência logosófica que me encanta é este:

 

Quem é generoso ao aprender, é generoso ao ensinar; mas nunca terá que se exceder nessa generosidade, pretendendo ensinar antes de haver aprendido. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259)

 

Não posso dar o que não possuo, certo? Por isso, a necessidade de aprender antes de ensinar é uma condição que imponho a mim mesma.

 

Vivi  isso quando me dispus a colaborar em uma atividade em outra língua que eu ainda não dominava. No meio do caminho, tive que desistir, pois estava mais atrapalhando do que ajudando. Desde então, estou estudando mais esse idioma para, no futuro, com maior preparo, voltar a colaborar de maneira eficiente. Mais uma vez, observo a dinâmica de aprender e ensinar em todas as atividades da vida.

 

Percebi, na natureza, que nenhum processo ocorre ao acaso e fora do tempo. Tudo foi pensado e criado pela mente do Criador da forma mais perfeita. E, como já dito,

A Natureza é sábia e contém o néctar da Sabedoria. É a primeira mestra do ser humano. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.102)

a Logosofia me ensina a observar e aprender com essa mestra.

 

Para ilustrar a experiência que vivi, vou contar como percebi o que ocorria comigo com base nesse ensinamento.

 

Estou me esforçando para observar e aprender com a natureza, pois são muitos os ensinamentos que dela posso extrair, especialmente com minhas filhas, nessa delicada tarefa de ensiná-las a voar com as próprias asas. Ainda tenho muita dificuldade, mas já avancei bastante nessa arte de educar para a vida.

 

Em duas oportunidades, observei como os pássaros se comportam em relação aos seus filhotes. Eles os alimentam até certo momento e, depois, os abandonam. Percebi que os filhotes não aprenderiam a voar se não fizessem o esforço de buscar o próprio alimento.

 

Percebi claramente a linguagem do Criador, ensinando-me como deveria atuar com minhas filhas. A partir daí, comecei a me “retirar” um pouco mais e tratá-las como adultas, para que aprendessem a buscar sua independência. É um trabalho eterno e difícil, este de mãe docente. 

 

Compreendi que Deus nos mostra o caminho da superação por meio dos desafios, e que não posso infringir a lei de evolução com meu sentimentalismo. Aprendi que deixar o outro evoluir é um ato de amor, assim como o amor de Deus se manifesta através de Suas leis, que nos corrigem e nos orientam todos os dias.

No Dia das Mães recebi um cartão, junto com uma orquídea, que dizia assim:

 

“Querida mamãe, somos eternamente gratas por todo o afeto e conhecimento que nos proporciona até hoje. A alegria de ter a liberdade mental foi um dos maiores presentes que você poderia nos dar. Somos muito gratas por todo o seu esforço. Feliz Dia das Mães!” 

 

    Essas palavras me confirmam que estou no caminho certo, sempre amparada pelo conhecimento logosófico.

 

Outro conhecimento que a natureza me trouxe há poucos dias foi de saber que a galinha põe apenas um ovo por dia. Percebi o quanto preciso trabalhar minha ansiedade de querer fazer tudo no mesmo dia, ao mesmo tempo, sem entender que a natureza não dá saltos e que tudo tem seu tempo. O pintinho leva vinte e um dias para nascer; o ser humano, nove meses. Então, calma…

 

Milhares de ensinamentos estão espalhados na natureza. Podemos aprendê-los todos os dias, aplicar na nossa vida e, assim, ensinar a quem precisa.

 

Daí a importância de experimentar o que se aprende, para ter certeza do conhecimento obtido e ensinar com segurança e generosidade a quem deseja aprender. Dessa forma, essa pessoa poderá transmitir seus aprendizados a outros que queiram evoluir, criando uma corrente de bem em prol da superação humana – objetivo que a Logosofia busca realizar com tanto amor pela humanidade.

 

O conhecimento transcendente, ou seja, o logosófico, expressa tudo quanto pode o homem conhecer, ao internar-se nos arcanos da Sabedoria. É a tocha convertida em luminária que passando de mão em mão, através das gerações, continuará iluminando a vida dos que buscam no aperfeiçoamento de si mesmos a própria inspiração. (Do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p.259)


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