Pedagogia Logosófica

Nossos filhos frente aos desafios da vida

agosto de 2025 - 3 min de leitura
Pedagogia Logosófica

Nossos filhos frente aos desafios da vida

agosto de 2025 - 3 min de leitura

Recentemente comprei um pacote de sementes para plantar num pedacinho de terra que tenho em minha casa. Eu queria colher coentro. Tempos depois da semeadura, apareceram uns poucos raminhos de salsa em alguns lugares. Em outros locais, onde também havíamos colocado as sementes, não apareceu nenhum raminho nem de coentro, nem de salsinha. Em alguns, apareceu capim.

Isso me fez refletir que, às vezes, na educação acontece algo semelhante: plantamos salsa achando que estamos plantando coentro. O que comprovei depois foi que eu havia mesmo plantado salsa — ou seja, por desconhecimento, descuido ou outros motivos, imagino estar plantando algo quando, na verdade, estou plantando outra coisa. E que, mesmo assim, o fato de plantar não garante que eu terei colheita. Às vezes não dá em nada, outras vezes colhemos o fruto do plantado. Mas algo também é certo: na educação, não colheremos alface se plantarmos tomate. Podemos até não colher o tomate plantado, mas não teremos certamente a chance de colher alface, se ela nem foi plantada, nem foi semeada, não é assim?

Essas reflexões e analogias fizeram-me pensar: como plantar em nossos filhos o que precisarão ter nas diferentes etapas do processo de crescimento e amadurecimento?

Outro dia, eu observava uma criança que queria pegar um pacote de biscoitos em cima de uma mesa. Como não alcançava, puxou uma cadeira, subiu nela e quando já estava praticamente conseguindo pegar o pacote nas mãos, a mãe imediatamente o pegou e o entregou na mão da filha, dizendo-lhe: “Deixe, filha, mamãe pega para você”.

Fiquei refletindo: aquela criança demonstrou condições de pegar o pacote. Por que impedir isso? Por que impedir que ela sinta-se capaz de resolver o que está ao alcance dela, mesmo que precise, como precisou, de utilizar um outro recurso.

Poucos anos depois, e a vida voa mesmo, aquela criança já adolescente, que nunca teve o direito de errar, de tentar, de se sentir capaz de resolver por si mesma, tem de resolver um tanto de coisas sozinha, pois lhe dizem sempre: você já é grande o suficiente para fazer isso sozinho…

E imediatamente me recordei do seguinte trecho do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico:

Os filhotes que se lançam a voar deixando o ninho antes de ter as asas emplumadas, correm o perigo de cair e bater a cabeça. Poder-se-ia objetar que se não fizessem esse ensaio, não aprenderiam a voar; mas o certo é que o ensaio prematuro costuma custar-lhes a quebra de uma asa, dos pés, da cabeça, etc. Muito diferente acontece quando as aves genitoras os conduzem, primeiro de raminho em raminho, depois de galho em galho, prolongando mais e mais as distâncias à medida que os filhotes, longe de debilitarem-se, adquirem força, pois um dia, com a arrogância própria dos pássaros que cumpriram o processo de seu desenvolvimento, conseguirão efetuar já magníficos vôos, sem o perigo de cair rendidos pelo cansaço ou outras causas. (Introdução ao Conhecimento Logosófico, p. 218)

 

Estaria aí a chave: ir aos poucos, favorecendo a que nossos filhos enfrentem paulatinamente os desafios coerentes com cada etapa de seu desenvolvimento?


Um pensamento de

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