Desde novo, imaginava que, quando tivesse idade e estabilidade econômica, poderia fazer tudo o que quisesse. Não precisaria da permissão dos meus pais para viajar e teria dinheiro para custear minhas despesas. Seria, portanto, independente e livre! Entretanto, para atender aos anseios da minha vontade, muitas vezes necessitei de algo além disso…
Por diversas vezes, tive tempo, oportunidade e desejo de manifestar meu apreço ou admiração a um amigo ou familiar, mas a timidez me impediu. Outras vezes, quis estudar um pouco mais, dedicando-me à faculdade ou ao trabalho, mas a falta de vontade e a preguiça me impediram. Em outras ocasiões, busquei ser simpático e agradável com os colegas, mas a impaciência, a intolerância e a brusquidão não me permitiram.
Essas e outras situações em que não fui capaz de respeitar minha vontade e exercer minha liberdade como deveria me levaram a questionar: sou realmente livre para fazer o que quero, ou faço apenas aquilo que pensamentos mandões me permitem fazer?
Certa vez, observei um grande navio ancorado em um porto. Era tão gigantesco que, perto dele, eu não passava de um pontinho na terra. Um navio daquele tamanho poderia transitar em todo e qualquer mar. Ao observar mais atentamente a cena, constatei que havia uma imensa corrente prendendo-o ao solo. Assim, para que o navio pudesse seguir seu caminho, era necessário que as correntes fossem removidas; caso contrário, seus movimentos permaneceriam sempre limitados.
Por diversas vezes, já me senti como esse gigantesco navio, cheio de potencialidades, mas ainda ancorado ao cais, limitado por pensamentos tiranos que acorrentam minha mente e restringem minha liberdade – pensamentos que, por sua natureza negativa, podem ser considerados deficiências psicológicas. Apesar de exercerem forte pressão sobre a vontade, essas limitações podem ser eliminadas por meio do método logosófico de aperfeiçoamento individual.
O conhecimento de si mesmo e da realidade dos pensamentos é essencial para a conquista da liberdade, que não significa apenas ir e vir, e sim uma emancipação da mente, conduzindo-nos a experimentar a vida de uma forma totalmente nova e mais feliz.
