Sabe quando você se propõe a fazer algo, mas, no final das contas, o tempo passa e você fez de tudo, menos o que você se propôs?
Na época da faculdade, era mais ou menos isso que acontecia comigo nas horas de estudar ou de fazer trabalhos.
Minha imaginação pregava peças e criava cenários onde meus afazeres seriam facilmente resolvidos pelo meu eu do futuro. Mas, quando o tempo pressionava e a hora de executar a tarefa chegava, não era bem assim.
Questionamentos e reclamações começavam a surgir em minha mente, dizendo, mais ou menos, o seguinte: “Por que tenho que estudar isso? Essa faculdade está totalmente desalinhada com o mercado. Quero mesmo me formar neste curso? Esta matéria é tão chata e o professor é tão ruim, deviam mudar isso.”
Assim, a ladainha mental continuava minando minha vontade. Mesmo que meu objetivo inicial fosse o de sentar e estudar, o que acontecia é que qualquer coisa que surgisse na minha mente virava prioridade. Comprar algo online, fazer um café, arrumar a cama, colocar uma roupa mais confortável… Ou seja, tudo, menos o objetivo inicial.
Isso me prejudicava bastante e quando chegavam as provas e eu não me havia preparado o suficiente, os resultados eram, muitas vezes, bem ruins.
E aí começava uma nova novela em minha mente: “por que eu não estudei direito? Eu precisava ir bem nessa prova… Fiz várias coisas sem importância, ao invés de estudar. Por que agi assim ?”
Realmente não conseguia entender meu comportamento; parecia-me algo inevitável, além da minha compreensão e capacidade de mudar. Embora eu quisesse ter maior controle da minha vontade e formar-me o quanto antes, faltavam-me elementos para mudar a situação.
Essa situação começou a mudar depois que eu tive contato com conceitos da Ciência Logosófica, principalmente os de pensamentos.
Ao ampliar essa compreensão, fui dando-me conta de que não estava conseguindo governar muito bem minha vida e estava sendo levado por pensamentos dos quais eu nem sabia a origem. Senti com muita intensidade que poderia — e queria — mudar aquela realidade.
Aos poucos, comecei a firmar propósitos e direcionar meus esforços. Fui fazendo diversos
experimentos para me organizar e conseguir realizar as coisas que queria. Fiz longas reflexões sobre o que eu queria com o curso e a razão de me querer formar.
Passei a entender que o curso tinha muitos defeitos e não estava alinhado com as exigências do mercado e da sociedade. Decidi começar a realizar mudanças no campo mais próximo possível da minha realidade, ou seja, no meu próprio interno.
Ter consciência disso trouxe-me a sensação de liberdade. Fez com que eu sentisse ter maior controle da minha vida. A luta não era apenas para me formar ou ir melhor na faculdade. Era superar uma dificuldade e evoluir como pessoa.
Hoje, continuo enfrentando diversas lutas internas contra a falta de vontade no meu trabalho, mas já me sinto muito mais preparado e capacitado para as enfrentar.
Algo que ficou comigo dessa experiência é o entendimento de que, para fortalecer minha vontade e criar estímulos, preciso pensar para acrescentar às atividades que eu realizo objetivos que sejam menos transitórios e mais permanentes. Ou seja: sei que é importante me formar, mas não como um fim e sim um meio para propósitos maiores.
O maior de todos os objetivos tem sido o de me superar como ser humano e ser uma pessoa melhor para mim e meus semelhantes. Dessa maneira, a própria vida amplia-se.
