Certo dia, não faz muito tempo, estava na praia pescando, quando uma pessoa já de meia idade e por mim desconhecida aproximou-se. Puxou conversa, desejando-me um bom dia e uma excelente pescaria e expressou o pensamento de que um dia ele também “gostaria de levar uma vida de tranquilidade como a que eu estava levando”. Manifestei-lhe que essa vida, ou essa tranquilidade, não se constrói de uma hora para outra, que ela não surge como algo “mágico”, mas que ela tem que ser planejada. Tudo na vida, presente ou futura, é consequência do que se fez ou deixou de fazer no passado.
Ele olhou para mim, ficou pensativo, pedi-lhe licença, andei um pouco água adentro para arremessar a linha na tentativa de encontrar algum peixe e retornei ao ponto onde nos encontrávamos. Quando voltei, ele, ainda pensativo, expressou: “o mundo deveria ter mais gente assim”, no que eu perguntei, “assim como?” “Que soubesse construir a tranquilidade”, respondeu, emendando em seguida: “Por que existe tanto sofrimento neste mundo”? “Por que as pessoas vivem tão amedrontadas”? Em seguida, colocou a mão em meu ombro e disse: “Moço, obrigado por este momento”. Acenou e seguiu em sua caminhada.
Continuei praticando a paciência para ver se algum peixe desavisado aparecia para satisfazer o meu instinto predatório. Chegada a hora de voltar para casa, peguei minha tralha e, ao pôr o pé no caminho, aquela pergunta: “Por que as pessoas vivem tão amedrontadas?” isso repicava em minha mente uma, duas, três… infinitas vezes.
Chegando em casa, após cumprir a rotina, peguei a pergunta e pus-me a refletir. Por que é mesmo que as pessoas vivem amedrontadas? O que leva os seres a viver uma vida de sofrimentos, de angústias, de desespero, de desassossego? Com certeza é falta de algum conhecimento, mas de que conhecimento? O mundo está abarrotado de conhecimentos! Exclamei. Então é por falta de confiança… confiança em quem? Em Deus, em si mesmo, no próprio ser humano? A hipótese da falta de confiança pareceu-me mais plausível para explicar o porquê das pessoas viverem amedrontadas. Mas, e agora, como é possível adquirir essa confiança? O que me leva a ter confiança?
Para responder a essa indagação, recorri a uma simples analogia. Quando o engenheiro projeta e decide construir um edifício, é o conhecimento que ele possui que lhe dá a garantia e a confiança de que aquele edifício, uma vez construído, não vai cair. Da mesma forma, é o conhecimento que vai dar às pessoas a confiança e a segurança necessárias para não viverem amedrontadas.
O autor da Logosofia, Carlos Bernardo González Pecotche, em seu livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, na p. 47, ensina que:
Cheguei então à conclusão de que os seres vivem amedrontados porque lhes falta a confiança e que essa falta de confiança surge pela falta dos conhecimentos que lhes proporcionam as defesas mentais necessárias para enfrentarem os problemas que surgem ao longo de suas vidas. Por não terem conhecimentos, principalmente sobre a atuação dos pensamentos na mente; por não saberem selecionar os bons, eliminando os maus, é que se deixam levar por pensamentos, próprios ou alheios, nem sempre de boa índole e que causam a maioria dos temores aos quais a sociedade, hoje, padece; temor do desconhecido; temor do futuro… temores que geram a desconfiança no próprio semelhante, temores que promovem a insegurança individual e tornam os seres incapazes de encontrarem, por si mesmos, as soluções para os problemas do dia a dia. Temores que fazem enfim os seres fundirem-se na multidão, deixando de ser indivíduos para se tornarem massa de manobra.
Ainda neste mesmo livro, Introdução ao Conhecimento Logosófico, na p. 97, o autor da logosofia nos brinda com outro ensinamento, em que declara que o conhecimento é a chave para se ter as defesas internas que nos exime dos grandes sofrimentos.
Quando, por falta de conhecimentos, o homem não é capaz de compreender certas desgraças que acontecem a seus semelhantes, experimenta dentro de si um grande sofrimento. Isto ocorre porque não tem defesas internas que o imunizem contra o mal que, assim como chega aos demais, pode chegar até ele.
