Recordo que quando era criança, entre uma brincadeira e outra, eu gostava de fazer muitas perguntas. Por que isso? Por que aquilo? Como fazer isso?

Talvez essas perguntas viessem das faculdades sensíveis e da minha inteligência querendo entender, sentir e observar o que os olhos viam e o que — a curiosidade, por uma parte, e o interesse, por outra — movimentavam em minha ação.

Nessa fase — e, muitas vezes, nas fases que se seguem —, as perguntas são formuladas para atender a movimentos mentais sobre coisas passageiras que estão acontecendo naquele momento, mas que têm pouca utilidade para a vida, pois são coisas que não tocam o interno do ser.

Muitas dessas perguntas são formuladas no exercício de nossa profissão para dirimir dúvidas, adquirir um conhecimento novo, avaliar futuros procedimentos e, até, para encontrar uma resposta às nossas inquietudes.

No meu caso, mais tarde, quando a responsabilidade pelos meus atos foi surgindo, fui modificando minha maneira de pensar e passei a fazer perguntas mais profundas. Eram perguntas que precisavam de respostas imediatas para atender algo circunstancial, passageiro, perguntas ainda carentes de um conteúdo transcendente.

Os ensinamentos da ciência logosófica que estou praticando estão me ensinando a fazer perguntas profundas, transcendentes, que atendam as necessidades do meu espírito. Como o espírito só busca o bem, eu me perguntei se era possível criar esse bem em mim mesmo para facilitar essa busca e, então, deparei-me com nova pergunta: como criar esse bem?

Penso que perguntas como as que surgem do nosso interno — como, por exemplo, “quem sou eu? qual a finalidade da vida? como faço para acelerar minha evolução? como ser consciente?” — são perguntas que se destacam por fazerem parte de uma categoria superior que corresponde às minhas inquietudes internas.

Muitas vezes aparece uma pergunta que não quer calar, que surge com o impulso dado por uma inquietude antiga ou para questionar por que uma pessoa ou um assunto desperta o meu interesse — interesses podem ser superficiais ou profundos, e perguntas seguem o mesmo critério, criando uma hierarquia na sua classificação.

Posso dar como exemplo as perguntas feitas pelos cientistas, sempre buscando respostas precisas para a conclusão de suas investigações. Outro exemplo são as perguntas criadas por nossa imaginação, pelo nosso sentir e nosso instinto.

González Pecotche, criador da Logosofia, diz que

existem perguntas oriundas de nossa razão e de nosso juízo, e a palavra sábia vai sempre ao encontro da pergunta, fazendo antes um rápido reconhecimento dela para determinar sua natureza.

Aí está revelado algo que dá valor à pergunta, ou seja, saber qual a natureza da pergunta — se ela provém da nossa razão e do nosso juízo.

Tenho observado que esse ato de perguntar se modifica à medida que vou amadurecendo, como resultado do meu processo de evolução, quando as perguntas possuem um conteúdo cuja resposta contribui para esse amadurecimento.

Comparo, por exemplo, as inúmeras perguntas relacionadas a diferentes épocas da minha vida, cujas respostas serviram para aquele momento determinado. Quando criança, por exemplo, o cuidado maior era com a resposta do que com a pergunta em si.

Penso que a pergunta precisa ser bem elaborada para que a resposta seja clara e útil. Perguntas que surgem para atender exigências e necessidades do meu espírito são meditadas e permanecem um tempo aguardando as respostas — por constituir um momento de alegria e felicidade ao estar atendendo o meu ser interno.

A flor e o fruto são a melhor resposta à ansiedade de quem cultiva a planta. Quanto mais formosas forem as flores e melhores os frutos, tanto mais eloquente será a resposta à grande interrogação. González Pecotche

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