Mente

A história de Lúcio e o mecanismo interno

março de 2026 - 4 min de leitura
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A história de Lúcio e o mecanismo interno

março de 2026 - 4 min de leitura

Eu tinha 15 anos e vivia dizendo que “a minha cabeça era uma bagunça”. 

Às vezes, eu pensava demais. Às vezes, eu sentia demais. Às vezes, reagia sem pensar.

Um dia, eu estava meio nostálgico e fui caminhar sozinho no parque.

Sentei-me debaixo de uma árvore e, sem perceber, acabei dormindo.

Quando abri os olhos, não estava mais no parque. Estava em um lugar estranho, como se fosse um mundo dentro de mim mesmo. Tudo indicava que eu estava sonhando.

À minha frente, apareceu um senhor de barba branca e olhar tranquilo; parecia um guia.

— Bem-vindo, Lúcio — disse ele. — Você acaba de entrar nos Três Reinos do Ser Humano.

Arregalei os olhos.

— Três reinos?

— Sim — respondeu o senhor. — O Mental, o Sensível e o Instintivo. Eles existem dentro de você, mas você ainda não os conhece bem. Quer visitá-los?

Respirei fundo e aceitei.

Então, começaremos pelo primeiro reino: o Mental

O senhor me levou até uma grande cidade cheia de luzes. Havia pensamentos andando pelas ruas como se fossem pessoas. Uns eram barulhentos; outros silenciosos. Alguns pareciam perdido; outros sabiam exatamente para onde ir.

— Aqui é o Reino Mental — explicou o guia. — Mas cuidado: existem duas áreas delimitadas.

Ele apontou para um bairro agitado, onde pensamentos corriam sem parar.

— Esse é o bairro da Mente Inferior. Essa área funciona no automático. Repete coisas que você ouviu, viu ou aprendeu sem pensar muito.

Depois, apontou para uma área calma, cheia de jardins e bibliotecas.

— E ali está a Mente Superior. É onde você pensa com clareza, escolhe ideias melhores e cria pensamentos que o ajudam a crescer.

Observei tudo, impressionado.

— Então eu posso escolher em qual parte da mente quero viver?

— Exatamente — disse o senhor. — Mas, para isso, você precisa aprender a observar seus pensamentos, como está fazendo agora.

Agora vamos conhecer o segundo reino: o Sensível

Este é tão importante quanto o anterior, mas fala sobre os nossos sentimentos.

Caminhamos até um vale luminoso, cheio de cores suaves.

Ali, os sentimentos apareciam como pequenas luzes vivas, todas belas, todas boas.

— Estes são seus sentimentos — disse o guia. — Na Logosofia, os sentimentos são sempre bons. Eles vêm da parte mais nobre do seu ser.

Vi a gratidão brilhando como um pequeno Sol.

Vi o respeito, o amor consciente, a amizade, a alegria serena.

— Mas e quando eu sinto algo ruim? — perguntei.

O guia sorriu.

— O que você chama de “sentir algo ruim” não é um sentimento. É um pensamento negativo que se mistura à sua vida sensível e cria confusão. Os sentimentos verdadeiros são sempre bons. Eles só ficam escondidos quando pensamentos desordenados fazem barulho demais.

Agora é a vez do terceiro reino: o Instintivo

Por fim, chegamos a uma floresta cheia de animais.

Havia um lobo, um coelho, um pássaro e um gato selvagem.

— Esses são seus instintos — disse o guia. — Eles reagem rápido para o proteger. Mas às vezes exageram.

O lobo uivou:

— Eu apareço quando você sente medo!

O coelho pulou:

— Eu faço você fugir de problemas!

O pássaro cantou e tratou dos filhotes:

— Eu faço você sentir!

O gato selvagem arqueou o corpo, eriçou os pelos e soltou um rosnado curto e tenso:

— Eu faço você se irritar, agir ou fugir!

O guia colocou a mão no meu ombro.

— Eles não são inimigos. Só precisam ser educados, como animais de estimação que aprendem a se comportar. 

Sorri. Pela primeira vez, entendi que eu não precisava lutar contra mim mesmo.

A Grande Descoberta

Depois de visitar os três reinos, o senhor disse:

— Lúcio, tudo isso existe dentro de você. A Logosofia ensina que você pode aprender a conhecer, dirigir e harmonizar esses três mundos. Quando faz isso, começa a evoluir de verdade.

Senti algo diferente. Como se tivesse encontrado um mapa para entender a própria vida.

— E como eu começo? — perguntei.

O senhor respondeu:

— Observando. Pensando com calma. Sentindo com consciência. Educando suas reações. E, acima de tudo, praticando um pouquinho todos os dias.

De repente, o parque voltou a aparecer. Eu havia acordado. Estava novamente debaixo da árvore.

Mas agora, algo dentro de mim tinha mudado.

Eu sabia que carregava três reinos — e que podia aprender a ser o guardião consciente de todos eles. Pela primeira vez, compreendia por que “minha cabeça” parecia uma bagunça: eram mundos inteiros tentando falar ao mesmo tempo.

Aprendi também que tudo isso não acontece simplesmente na “minha cabeça”, mas na mente.

Agora, porém, eu descobria que podia caminhar por cada um deles com calma, usando as ferramentas certas para entender minha mente, valorizar meus sentimentos e educar meus instintos.

Dali em diante, minha evolução deixava de ser um mistério e passava a ser um caminho possível, iluminado passo a passo pela própria consciência.


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