Você já parou para pensar sobre a cultura de um povo, de uma raça? Já se viu falando palavras que até pouco tempo não faziam parte do seu vocabulário? Já reproduziu ações que não fazem parte do seu modo de ser? Então, se para você a cultura de um povo inclui hábitos, costumes e tradições, certamente as respostas para as demais perguntas são positivas.
A palavra cultura tem um conceito bastante amplo, podendo referir-se ao conjunto de valores, ideias, crenças, tradições, costumes, hábitos, conhecimentos, expressões artísticas e simbólicas que são compartilhadas por um grupo de pessoas. Ela é transmitida de geração em geração por meio da educação, da família, da mídia e de várias instituições sociais. Sabemos que a cultura é importante para o desenvolvimento individual e coletivo, sendo também fundamental para a comunicação, o entendimento, a conciliação e a harmonia entre os seres humanos.
E como observamos as diferenças culturais? Por exemplo, na cultura açoriana – presente em nosso litoral catarinense – os traços oriundos de tradições portuguesas e europeias aparecem na música, na dança, no folclore, no sotaque, no dialeto e no artesanato. Já na italiana, a influência cultural se manifesta nos trajes, na comida, no idioma e nas tradições, sendo bem diferente da americana, que é distinta da chilena, que, por sua vez, difere da africana… E assim, ao longo do tempo, os povos buscaram sempre se entender, tornando possível a convivência entre eles.
A cultura também é influenciada por fatores como a geografia, a economia, a política, a tecnologia, entre outros. Esses fatores, tão importantes para o desenvolvimento e a evolução, despertaram em algumas mentes pensamentos gananciosos – e foi aí que a incompreensão começou a se instalar no seio da humanidade. E qual é a consequência disso? Guerras, abusos, intolerância, separatismo, indiferença…enfim, uma série de situações. Mas onde reside o problema? Nos fatores ou na mente humana? Qual é, afinal, a causa de todo esse caos que observamos hoje na humanidade?
Gonzalez Pecotche, em seu livro Curso de Iniciação Logosófica, p. 9, apresenta:
N.T.: *O autor adotou, no texto original em espanhol, o neologismo “interpenetrar”, ao conferir-lhe o sentido de “estar penetrado em, existir dentro de, constituir-se no espaço interior de”. O mesmo valor neológico está presente no texto traduzido ao português.
Falha pela base!
O ensinamento deixa claro que o problema é individual. Começa dentro de cada ser humano. Dentro de mim mesma! Posso afirmar que não fui ensinada a conhecer a mim mesma, a conhecer meus pensamentos e sentimentos. Em minha educação, nunca se falou da existência de um mundo mental, transcendente e metafísico, onde têm origem todas as ideias e pensamentos que fecundam a vida humana. Sinceramente, eu não sabia definir o que eram pensamentos, não sabia como eles nascem, e muito menos como classificá-los; e também não sabia que o sentimento é um pensamento hierarquizado. Ao voltar meu olhar para dentro de mim, observei uma grande lacuna entre mim e Deus. Sim! Recebi várias orientações da doutrina religiosa que cultuava, mas, mesmo assim, havia um vazio – uma necessidade imperiosa de entender: quem é Deus? Por que Deus me fez assim? Por que fez as pessoas diferentes umas das outras – física, psicológica e espiritualmente? Por que vivo? Para quê?
Então o que precisa ser feito? Precisa-se mudar a cultura interna. Rever conceitos, valores, ideias, hábitos e costumes. Precisa-se voltar a pureza dos conceitos. Precisa-se reorganizar a estruturação psíquica, mental e espiritual do ser humano.
Ainda no livro Curso de Iniciação Logosófica, p. 12, há o seguinte ensinamento:
Uma nova forma de pensar e sentir a vida – é justamente isso o que a ciência logosófica proporciona ao investigador que se dispõe a conhecer sua ciência e cultura original, transcendente e humanitária. Nessa cultura, a formação da individualidade é o que estabelece as bases para um futuro melhor.
Ao revelar ao ser humano o caminho da evolução consciente, a Logosofia assegura que é possível formar uma nova cultura na humanidade, começando pelo estudo da própria mente, da vida psicológica e dos pensamentos, pois são eles os agentes causais que configuram a existência de cada ser humano.