Recentemente comprei um pacote de sementes para plantar num pedacinho de terra que tenho em minha casa. Eu queria colher coentro. Tempos depois da semeadura, apareceram uns poucos raminhos de salsa em alguns lugares. Em outros locais, onde também havíamos colocado as sementes, não apareceu nenhum raminho nem de coentro, nem de salsinha. Em alguns, apareceu capim.
Isso me fez refletir que, às vezes, na educação acontece algo semelhante: plantamos salsa achando que estamos plantando coentro. O que comprovei depois foi que eu havia mesmo plantado salsa — ou seja, por desconhecimento, descuido ou outros motivos, imagino estar plantando algo quando, na verdade, estou plantando outra coisa. E que, mesmo assim, o fato de plantar não garante que eu terei colheita. Às vezes não dá em nada, outras vezes colhemos o fruto do plantado. Mas algo também é certo: na educação, não colheremos alface se plantarmos tomate. Podemos até não colher o tomate plantado, mas não teremos certamente a chance de colher alface, se ela nem foi plantada, nem foi semeada, não é assim?
Essas reflexões e analogias fizeram-me pensar: como plantar em nossos filhos o que precisarão ter nas diferentes etapas do processo de crescimento e amadurecimento?
Fiquei refletindo: aquela criança demonstrou condições de pegar o pacote. Por que impedir isso? Por que impedir que ela sinta-se capaz de resolver o que está ao alcance dela, mesmo que precise, como precisou, de utilizar um outro recurso.
Poucos anos depois, e a vida voa mesmo, aquela criança já adolescente, que nunca teve o direito de errar, de tentar, de se sentir capaz de resolver por si mesma, tem de resolver um tanto de coisas sozinha, pois lhe dizem sempre: você já é grande o suficiente para fazer isso sozinho…
E imediatamente me recordei do seguinte trecho do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico:
Estaria aí a chave: ir aos poucos, favorecendo a que nossos filhos enfrentem paulatinamente os desafios coerentes com cada etapa de seu desenvolvimento?