Vida

Enfrentando as lutas de forma mais consciente

dezembro de 2025 - 4 min de leitura
Vida

Enfrentando as lutas de forma mais consciente

dezembro de 2025 - 4 min de leitura

A alegria do triunfo jamais poderia ser experimentada se não existisse a luta, que é a que determina a oportunidade de vencer.

 

Esse ensinamento da Logosofia tem sido tema de trabalho com os adolescentes do 3º ano do Ensino Médio ao longo dos últimos anos. Costumamos apresentá-lo em uma reunião com os alunos e seus pais, momento em que destacamos o início de uma etapa mais intensa de preparo para o vestibular, agora representado pelo ENEM.

 

Que verdade ele expressa! Há cerca de três anos, depois da reunião, recebi um e-mail do pai de uma das alunas no qual dizia:

“Impressionou-me o ensinamento que você projetou sobre a luta. Realmente, quanto mais lutamos para conseguir algo, mais alegres ficamos quando alcançamos! Sábio! Poderia enviar-me o texto por e-mail? Quero muito mostrar à minha esposa, que não pôde ir à reunião.” 

 

Então, como é mesmo o assunto da luta? 

Geralmente, associa-se a palavra luta a sofrimento, dificuldade, empecilho, esforço dramático, injustiça, castigo, lamentação ou queixa.

Com os estudos da ciência logosófica, aprendi a compreender as lutas como internas, necessárias, úteis e naturais. Às vezes, podem ser também árduas, pacientes, normais e convenientes – afinal, fazem parte da vida! Além disso, estão relacionadas a oportunidades e aprendizado.

 

Tenho aprendido, a cada dia, o quanto lutar é bom – o quanto a luta é positiva,  bem-vinda e natural. Evitar a luta? Por quê? Luta é vida! Não querer lutar é querer a inércia, a morte; é perder oportunidades de aprender! Mas nem sempre é assim que me sinto no dia a dia.

Quantas vezes me pego lastimando por ter passado uma manhã “somente” resolvendo problemas. Ainda tenho a sensação de que o melhor seria passar a manhã respondendo a e-mails de elogios, encaminhando situações simples, pensando no futuro, fazendo planejamentos, conversando com os adolescentes, com as crianças, dando-lhes um colinho…

 

Comecei a analisar o que acontece comigo ao final de cada dia. Meu dia a dia é feito de alegrias, de muita atividade, de dificuldades, de encaminhamentos de situações e de lutas – às vezes muitas lutas. Detive-me na recordação de dias com mais lutas, externas e internas. 

 

Por que, ao final de alguns dias, estou mais feliz do que em outros? O que me faz ficar abatida depois de certos dias de lutas, e não de outros? Em alguns, fico até feliz, muito feliz!

 

Identifiquei que, quando venço a luta, sinto-me feliz. Quando o resultado é positivo, mas não é imediato – ou é negativo – , sinto-me abatida e triste. Será, então, que sofro porque luto ou porque me sinto perdedora na luta? Não sei lutar ou não sei perder? E o que é, afinal, perder em uma luta? O que é vencer? Quem define esse placar? Hum… será amor-próprio? Vaidade?

Certa vez vivi uma experiência que me fez comprovar a importância desse conhecimento. Havia planejado, com carinho e dedicação,  uma atividade conjunta, pensando no bem e contando com a colaboração de muitos seres. Mas uma parte do evento não saiu como eu esperava, nem teve repercussão positiva entre os demais. Fiquei abalada internamente, preocupada – até sonhei com o assunto à noite. 

No dia seguinte, logo cedo ao acordar, vi o e-mail de uma das participantes, trazendo uma outra visão do evento, mais ampla e mais generosa. Foi um carinho! Percebi, imediatamente, que quem mais me fazia sofrer era minha própria personalidade, que me impedia de enxergar o fracasso de forma mais leve. 

Afinal, eu precisava ver e sentir aquela experiência como uma oportunidade de aprender e superar, e não apenas como um erro em si. Identifiquei ali a postura da velha cultura de martirizar-me pelo erro, fazendo com que o sofrimento fosse até maior que o estímulo de superá-lo.

Meu conceito de luta ainda é muito limitado, especialmente, na prática. A luta – a verdadeira e bem-vinda luta – é a interna;  é aquela  que me propicia conhecer-me e superar-me. Isso é vencer! 

Na experiência citada, o erro que cometi já estava feito, mas posso sair vencedora enquanto me aprofundo em sua análise, identifico aspectos da minha realidade interna e busco superá-la. Assim, consigo realizar uma verdadeira alquimia: transformar o fracasso em acerto!

Isso é gostar realmente da luta – vê-la como deve ser vista : um campo experimental, uma oportunidade de aprender. Há momentos em que vencerei e outros em que serei vencida – a princípio –, pois posso aprender muito com um fracasso inicial.

 É preciso, realmente,  encarar a vida como um campo experimental. Quando sei para que vivo, tudo se transforma em  oportunidade de observar, superar-me  – e tudo se torna belo. 

Que bom é aprender esse novo conceito de luta!

A vida é o campo experimental onde ocorrem as lutas e onde cada um vence ou é derrotado; mas é, também, o cenário onde o espírito se tempera verdadeiramente e onde, pouco a pouco, com grande vontade e entusiasmo, vai se lavrando um novo e elevado destino. Introdução ao Conhecimento Logosófico p.263, §2


Um pensamento de

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