Caro leitor, você já fez combinados consigo mesmo e deixou de cumprir? Por que é mais fácil cumprir o que nos propomos com os outros do que conosco? Falta algo em nós mesmos para seguirmos firmes naquilo a que nos propomos?
Começo este texto com essas perguntas para falar de um tema que é bem presente na minha vida – e acredito que também seja na vida de cada um de vocês: as defesas mentais. Você já ouviu falar sobre isso?
Desde tempos remotos, a humanidade vive muitas lutas. No princípio, as lutas físicas eram as mais presentes e, para enfrentá-las, o ser humano foi desenvolvendo técnicas e aprendendo a se defender. Num primeiro momento, guiado por seu instinto, lutava pela sobrevivência e pela integridade física – e isso era o suficiente. Com o passar dos anos, as necessidades humanas foram mudando, e os aspectos mais rudimentares foram cedendo espaço a um homem mais racional.
Na Terra há milhares de anos, o homem aprendeu a defender-se de diversas formas, sempre em favor de sua sobrevivência. Mas, quando falamos de sua vida mental, ela tem sido marcado por um rude nomadismo. Embora tenha evoluído e aprendido muitas coisas, ainda lhe falta descobrir o principal: as riquezas que guarda dentro de si mesmo. E, por carecer de conhecimento sobre si, continua sendo um indefeso mental.
Como identificar, em mim, o que são os pensamentos? A Logosofia ensina que existem pensamentos úteis e pensamentos inúteis, e que é possível, por meio de seu método de estudo, classificar esses pensamentos.
Entendo que os pensamentos inúteis são aqueles que sabotam ideias, metas e iniciativas voltadas ao bem, ao progresso e à superação de si mesmo. Atuam de maneira sutil, tentando enfraquecer decisões que nascem na intimidade e pureza de nosso sentir
Deus nos criou para evoluirmos rumo à perfeição; realizar isso é um grande propósito. Mas há pensamentos que tentam tirar o ser desse caminho. Como, por exemplo, aquela voz que sussurra: “Não faça isso hoje, deixe para outro dia; hoje você está cansada.”
À primeira vista, parece ser a própria pessoa pensando. Parece vir de dentro, como se fosse a expressão da própria vontade. No entanto, ao observar com mais atenção, percebe-se que é um pensamento que oferece argumentos que se apresentam como nossos. Aprender a distinguir o que sou eu e o que é um pensamento que atua em mim faz total diferença na vida.
Não é assim que acontece? Você já viveu isso? Você se propõe a acordar bem cedo, fazer sua atividade física, organizar as atividades diárias com o propósito de sobrar tempo para ler um livro, estudar, mas, logo ao acordar, o pensamento acorda primeiro e lhe diz: “Descanse mais um pouco, está frio, você está cansada, deixe para ler outro dia…”
E você obedece a esse influxo e deixa de cumprir algo que, puramente, havia combinado consigo mesmo.
Isso já aconteceu muitas vezes comigo, até eu aprender, com a ciência logosófica, a instituir na mente um pensamento-autoridade e, junto com ele, alistar pensamentos-soldados que me auxiliam a defender minha própria mente. Mas como se faz isso? Através do que a Logosofia denomina de defesas mentais. Esta ciência ensina que devemos conhecer, identificar, selecionar e utilizar os pensamentos com lucidez e acerto.
E as defesas mentais são aqueles pensamentos fortes, determinados, pensamentos de bem, de ordem superior, muitos dos quais denominamos virtudes, que devem ser alimentados e fortalecidos para que estejam sempre a postos quando os pensamentos inúteis resolverem se manifestar.
Outro dia, vivi isso num momento bem simples do dia a dia. Eu precisava tomar uma medicação injetável e, ao me dirigir ao pronto-atendimento, o enfermeiro começou a me assustar com seus pensamentos, dizendo que aquela injeção seria muito dolorida, que eu precisava me preparar. Mas eu estava serena e não dei ouvidos àqueles pensamentos. Para cada um deles, eu lançava outro, dizendo que tudo bem, que aquele medicamento iria tirar uma dor maior.
Em mim havia serenidade e a consciência de que, naquele medicamento, estava a cura para algo que estava me deixando doente. Não me deixei assustar ou amedrontar por aqueles que eram pensamentos alheios. Estava decidida de que nada perturbaria minha paz interna.
E foi assim até a aplicação do injetável. No fim, nem senti toda aquela dor que o enfermeiro havia dito que eu iria sentir. Pude viver essa experiência de forma tranquila porque tenho aprendido, com a Logosofia, a me defender mentalmente.
São momentos sutis do dia a dia que nos fazem observar o movimento dos pensamentos. E, estando atentos, com defesas mentais fortes e convicções profundas, podemos enfrentar qualquer um deles.
