Tenho recordações da minha infância sobre personagens de filmes e desenhos animados. O Super-homem e demais heróis fizeram parte da minha imaginação. Essas figuras tinham superpoderes, lutavam contra toda espécie de vilões, travavam duras batalhas, conseguiam vitórias e desfrutavam de suas conquistas junto a amigos ou seres queridos. Na Logosofia, aprendi sobre o processo de superação integral. Por meio do meu próprio processo, posso conquistar o superpoder do domínio dos próprios pensamentos.
Aprendi que o conceito da palavra poder não está relacionado à dominação nem a uma posição de autoridade, mas sim ao conhecimento que conquisto e que me permite alcançar os propósitos que almejo. Já o falso poder se refere a submeter os demais ou buscar reconhecimento movido pela vaidade. Aprendi que o verdadeiro poder, intimamente relacionado à própria inteligência, é uma força – seja física, moral ou espiritual – que deve ser utilizada para o bem.
Os heróis que via na infância salvavam cidades fictícias, por vezes o planeta inteiro ou até o universo. Eu, como herói da minha própria realidade, posso atuar para melhorar o ambiente familiar e o ambiente profissional.
Certa vez, em um passeio com meu filho pequeno, ao me deparar com sua desobediência, fiquei irritado. Logo depois, atento a esse movimento interno, consciente de que ser ríspido não é a melhor forma de atuar e também da importante responsabilidade de formar o caráter infantil por meio de orientações conduzidas com inteligência, tive a oportunidade de me recolocar. A intolerância, a impaciência e a irritabilidade foram deixadas de lado e vencidas pela tolerância, pela paciência inteligente e por uma enérgica doçura. Muitas vezes, quando não estamos atentos aos nossos estados internos, tendemos a reagir com rispidez, em vez de conversar sobre o que fazer ou orientar com calma, mostrando o sentido daquilo que foi pedido.
Em atividade profissional, realizei um esforço considerável. Posteriormente, a equipe decidiu não dar seguimento à atividade na qual dediquei tempo e esforço. A vaidade quase influenciou outros pensamentos semelhantes, que poderiam ter levado a uma reação negativa, mas consegui interromper esse impulso e refletir. Percebi o quanto o esforço foi valioso, o quanto contribuiu para o meu aprendizado e que a não utilização desse trabalho era, na verdade, um problema muito pequeno. No fim, dei razão aos colegas e não deixei isso me afetar, pois colhi os elementos positivos dessa experiência.
Em outra ocasião, ao tocar o despertador, veio à mente um pensamento sugerindo que eu não precisava acordar cedo, que poderia descansar um pouco mais e deixar a atividade que havia planejado para outro momento. Atento a isso, consegui mobilizar minha vontade, levantei cedo e realizei o que havia me proposto para aquele dia.
Essas são situações do cotidiano que representam batalhas internas. São pequenas superações que se ligam a algo muito grande: o esforço pelo próprio processo de evolução. O importante, ao refletir sobre essas lutas internas, é conectá-las ao motivo que me levam a enfrentá-las, pois nem sempre saio vitorioso. Há ocasiões, por exemplo, em que a irritabilidade atua e a vaidade ameaça debilitar a minha vontade.
Que elementos utilizo para lutar? Essas questões são chaves para compreender melhor meu esforço no processo de superação individual. Nesse processo, consegui identificar alguns dos poderes que utilizo: reflexão, entendimento, razão, uso da função de pensar, observação, fortalecimento da vontade, tolerância, paciência inteligente e afeto.
Com o exercício e fortalecimento desses superpoderes, que representam o domínio dos pensamentos, forjo em mim um super-herói, um agente do bem capaz de combater o mal – os grandes vilões da ignorância e da incapacidade. As vitórias diárias que consigo alcançar me proporcionam pequenas porções de felicidade, permitem que eu sinta que governo minha própria mente nesses instantes e confirmam que estou seguindo na direção certa.
