1-Adolescência: é possível enxergar a beleza desta fase da vida dos filhos?
2- Onde reside a causa do sofrimento dos pais de adolescentes?
3-Quais recursos podem ajudar os pais a lidar com a efervescência da adolescência?
“Deus dá o frio conforme o cobertor”?
Fiz essa pergunta após receber uma resposta seca do meu filho pré-adolescente. O abraço espontâneo se transformou em um aceno tímido, sobretudo em público. A inércia diante das telas e os riscos dos conteúdos passaram a preocupar este pai esforçado.
Converso com amigos sobre essa transição da vida dos filhos, em busca de respostas. Qual é o motivo do tom ácido, das reações e críticas exageradas, especialmente com pessoas mais próximas? Seria insubordinação com os pais, alta exigência com terceiros ou até conduzir os próprios interesses com sentimentalismo?
Pais e mães de meninas também relatam a redução das atitudes carinhosas das filhas. Então não acontece somente comigo! Alívio momentâneo. Conversando com outro amigo, ele me diz que entende que Deus criou essas necessidades para despertar o ser humano e instruí-lo. A conversa me faz voltar no tempo.
Recordo do matrimônio e da aprendizagem diária com a nova experiência. Chegaram os filhos. Aprender para poder ensinar, por meio de palavras e do exemplo. Parecia coincidência o fato de que, estando mais cansado e com o desejo de uma noite reparadora de sono tranquilo, surgisse uma demanda com um filho. Eu era obrigado a me voltar para dentro de mim, buscar recursos, aprender e me superar. Por meio desse mecanismo divino, fui ampliando minha capacidade. Quando as forças pareciam esgotadas, encontrava novas.
O tempo passa, as experiências acontecem. Surgem as primeiras espinhas dos filhos. Rebeldias, oscilações temperamentais e relaxamento da vontade. Manifestações espontâneas de carinho se tornam mais raras. Reações negativas, por outro lado, tornam-se mais frequentes e prolongadas. Que saudades da infância deles!
Entendi que se iniciava um ciclo de aprendizagem, aplicação e ensino. Aquele amigo com quem converso sempre continua me ensinando que o adolescente sofre. Sabe que não é mais criança e não tem a experiência do adulto. Seu espírito, sua partícula divina, que lhe dava alegria na infância, facilitando entendimentos e compreensões, está, agora, ofuscado pela força do instinto. Não há mais os encantos das manifestações espontâneas da infância, como atitudes e perguntas, que eram diretamente influenciadas pelo espírito.
Ao entender um pouco mais sobre a participação do espírito na infância, vem à minha mente a imagem do colostro, o leite produzido pela mãe nos primeiros dias após o parto, que é rico em anticorpos e serve como proteção enquanto o recém-nascido não teve tempo de desenvolver as próprias defesas.
Minhas novas experiências como pai de um adolescente trouxeram reflexões:
Qual é o papel de cada fase da vida em nossas existências?
Por que a infância, fase de maior participação do nosso espírito, é a primeira que vivemos?
Enfim, percebi que Deus me oferecia nova oportunidade de superação. Sua mensagem ficou mais clara. Assim como os animais desenvolvem mecanismos para tolerar o frio, eu precisava ampliar a capacidade de meu cobertor, superar minha ignorância e inconsciência. A necessidade agora não era baixar a febre da criança, mas sim lidar com as efervescências da adolescência. A demanda passou do físico para o metafísico. Surge em minha mente a analogia da vida do ser com a rocha bruta que, ao ser polida, brilha!
Assim, posso identificar as belezas daquela fase da vida – minha e do meu filho – e vivê-la de forma mais leve e ampla. Pai de adolescente sofre? Sofre, se não tiver conhecimento e confiança. Ao ver aquelas espinhas, poderei brincar como minha avó: “Vontade de casar, meu filho?”
