Aperfeiçoamento

Adolescência: é possível ver beleza nesta fase da vida dos filhos?

janeiro de 2026 - 4 min de leitura
Aperfeiçoamento

Adolescência: é possível ver beleza nesta fase da vida dos filhos?

janeiro de 2026 - 4 min de leitura

1-Adolescência: é possível enxergar a beleza desta fase da vida dos filhos?

2- Onde reside a causa do sofrimento dos pais de adolescentes?

3-Quais recursos podem ajudar os pais a lidar com a efervescência da adolescência? 

 

“Deus dá o frio conforme o cobertor”? 

 

Fiz essa pergunta após receber uma resposta seca do meu filho pré-adolescente. O abraço espontâneo se transformou em um aceno tímido, sobretudo em público. A inércia diante das telas e os riscos dos conteúdos passaram a preocupar este pai esforçado. 

 

Converso com amigos sobre essa transição da vida dos filhos, em busca de respostas. Qual é o motivo do tom ácido, das reações e críticas exageradas, especialmente com pessoas mais próximas? Seria insubordinação com os pais, alta exigência com terceiros ou até conduzir os próprios interesses com sentimentalismo?

 

 Pais e mães de meninas também relatam a redução das atitudes carinhosas das filhas. Então não acontece somente comigo! Alívio momentâneo. Conversando com outro amigo, ele me diz que entende que Deus criou essas necessidades para despertar o ser humano e instruí-lo. A conversa me faz voltar no tempo. 

 

Recordo do matrimônio e da aprendizagem diária com a nova experiência. Chegaram os filhos. Aprender para poder ensinar, por meio de palavras e do exemplo. Parecia coincidência o fato de que, estando mais cansado e com o desejo de uma noite reparadora de sono tranquilo, surgisse uma demanda com um filho. Eu era obrigado a me voltar para dentro de mim, buscar recursos, aprender e me superar. Por meio desse mecanismo divino, fui ampliando minha capacidade. Quando as forças pareciam esgotadas, encontrava novas.

 

O tempo passa, as experiências acontecem. Surgem as primeiras espinhas dos filhos. Rebeldias, oscilações temperamentais e relaxamento da vontade. Manifestações espontâneas de carinho se tornam mais raras. Reações negativas, por outro lado, tornam-se mais frequentes e prolongadas. Que saudades da infância deles!

 

Entendi que se iniciava um ciclo de aprendizagem, aplicação e ensino. Aquele amigo com quem converso sempre continua me ensinando que o adolescente sofre. Sabe que não é mais criança e não tem a experiência do adulto. Seu espírito, sua partícula divina, que lhe dava alegria na infância, facilitando entendimentos e compreensões, está, agora, ofuscado pela força do instinto. Não há mais os encantos das manifestações espontâneas da infância, como atitudes e perguntas, que eram diretamente influenciadas pelo espírito. 

 

Ao entender um pouco mais sobre a participação do espírito na infância, vem à minha mente a imagem do colostro, o leite produzido pela mãe nos primeiros dias após o parto, que é rico em anticorpos e serve como proteção enquanto o recém-nascido não teve tempo de desenvolver as próprias defesas.

 

Minhas novas experiências como pai de um adolescente trouxeram reflexões: 

 

Qual é o papel de cada fase da vida em nossas existências? 

 

Por que a infância, fase de maior participação do nosso espírito, é a primeira que vivemos? 

 

Enfim, percebi que Deus me oferecia nova oportunidade de superação. Sua mensagem ficou mais clara. Assim como os animais desenvolvem mecanismos para tolerar o frio, eu precisava ampliar a capacidade de meu cobertor, superar minha ignorância e inconsciência. A necessidade agora não era baixar a febre da criança, mas sim lidar com as efervescências da adolescência. A demanda passou do físico para o metafísico. Surge em minha mente a analogia da vida do ser com a rocha bruta que, ao ser polida, brilha! 

Assim, posso identificar as belezas daquela fase da vida – minha e do meu filho – e vivê-la de forma mais leve e ampla. Pai de adolescente sofre? Sofre, se não tiver conhecimento e confiança. Ao ver aquelas espinhas, poderei brincar como minha avó: “Vontade de casar, meu filho?”

"Eis aí uma das principais preocupações que cada um deve ter: a de criar em si mesmo a segurança acerca do que conhece. Esta se cria quando se eliminam as vacilações e as dúvidas, e é sinal evidente de sua eliminação, quando não se interrompe o empenho e a ação ao ir em busca de um conhecimento ou de uma verdade que supera as próprias condições e eleva a vida". “Não é possível inspirar confiança a outros, quando essa confiança não existe em si próprio, nem esperar o respeito do semelhante se, frente a ele, o próprio interessado está lhe faltando com o devido respeito. Tampouco é possível transmitir uma verdade, se se carece da consciência de sua realidade".
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

Ver mais

Um pensamento de

 Guilherme Lanna Reis
Guilherme Lanna Reis nasceu em Belo Horizonte - MG, é casado e possui 3 filhos. Estudou no Colégio Logosófico. Atualmente, é empresário na área de construção civil e professor. Estuda e é docente da Fundação Logosófica ne Belo Horizonte desde 1999.

Você também pode gostar

Aperfeiçoamento

Que ser quero herdar no futuro?

O que acontece quando percebemos que cada ato, cada escolha e até cada descuido deixa um rastro que o próprio ser terá de herdar no futuro? Neste relato, Marconi compartilha uma vivência pessoal m...

Aperfeiçoamento

Coloque-se na agenda!

A observação da transformação positiva do marido, através da Logosofia, despertou na autora a inquietude sobre sua própria estagnação. A reveladora frase “Coloque-se na agenda!”, o...

Aperfeiçoamento

O cultivo da ampla liberdade de expressão

Há que cuidar da infância e da adolescência favorecendo uma educação que favoreça o cultivo do bem, através de bons exemplos dos pais, educadores, e da sociedade. Essa se contitui em uma grande...