Ter a oportunidade de trabalhar com educação, mantendo contato diário com pais, alunos e professores, é uma experiência única para aprender muitas coisas. Recentemente, durante uma reunião com pais de adolescentes – que tinha mais o formato de uma conversa do que de uma a reunião formal – chamou minha atenção a aflição de todos diante do tema da preguiça na adolescência.
Falta de vontade de estudar, indiferença frente às necessidades do lar, falta de iniciativa para resolver os próprios problemas e uma completa apatia e acomodamento foram alguns dos aspectos apontados, que têm preocupado tanto os pais quanto os educadores.
Mas o que tem contribuído para a constância dessa situação nas famílias? Certamente não adianta culpar o mundo, as novas tecnologias ou as redes sociais. Cabe a nós, como educadores, refletirmos sobre nossas atitudes e nos perguntarmos: de que forma tenho favorecido a preguiça em meu filho? Tenho suavizado demais seus problemas, resolvendo para ele o que ele mesmo deveria enfrentar? Tenho exigido sua colaboração nas tarefas de casa, incentivando-o a cultivar responsabilidade e generosidade?
O adolescente é um ser em formação, daí a importância da atuação firme e precisa de pais e adultos. Ele precisa entender que a vida é uma luta constante, que vai formando nosso caráter, dando-nos condições de amadurecer, propiciando as conquistas e a superação em todas as áreas da vida. As lutas ocorrem em todos os campos: na vida em família, no trabalho, na relação com os outros. Querer alcançar bens e realizações sem esforço é cair em uma perigosa ilusão, que impede a pessoa de caminhar.
A importância da família é enorme, principalmente quando valoriza e hierarquiza o estudo, favorecendo o adolescente a se dedicar a ele com disciplina e gosto, reconhecendo-o como a tarefa mais valiosa de sua vida.
É fundamental também que o filho tenha obrigações dentro do lar, responsabilidades que exijam esforço. Dessa forma, ele se torna mais consciente e aprende a dar valor ao trabalho e às lutas dos pais, em vez de permanecer apenas na confortável posição de exigir tudo pronto.
Outra contribuição que podemos oferecer aos mais jovens é o estímulo para resolver seus pequenos problemas. Muitas vezes os pais “pulam na frente” e impedem que os filhos vivam os desafios naturais da vida. Isso acaba gerando inibição, acomodamento e até inércia, fatores extremamente prejudiciais em qualquer fase da vida.
Há muito o que se pode fazer para que nossos adolescentes e crianças fortaleçam sua vontade e vigor em relação à vida. Pequenas atitudes, quando realizadas com amor e consciência, certamente terão repercussão positiva na vida de nossos filhos.
