Autoconhecimento

Quem manda em mim?

fevereiro de 2026 - 3 min de leitura
Autoconhecimento

Quem manda em mim?

fevereiro de 2026 - 3 min de leitura

Você já se sentiu um forasteiro dentro de si mesmo? Como se estivesse agindo, falando, mas na verdade não expressando sua verdadeira vontade? Eu já. E muitas vezes.

Vivi recentemente algo que me fez sentir pequena, como se tivesse voltado às birras típicas da infância, quando era contrariada e não entendia o porquê.

 

Sou professora de crianças de cinco anos de idade e adoro a minha profissão. Vivo muitos desafios no meu dia a dia que me fazem não só querer ensinar e aperfeiçoar-me profissionalmente, mas que me ajudam a perceber diversas coisas sobre mim mesma.

 

Todos os anos há grandes desafios, mas neste um aluno em particular fez-me ver coisas até então ignoradas. Com perfil carinhoso, mas comportamento opositor e uma grande energia, esse aluno acabava por agitar demais o ambiente em sala de aula, fazendo-o ter dificuldade na condução de algumas de suas atitudes.

 

Nos primeiros dias de aula, em inúmeros momentos, eu tentava ajudá-lo, conversava, usava de recursos e brincadeiras. Buscava demonstrar outra maneira de como ele poderia atuar. Mas isso parecia não adiantar. E isso se foi repetindo por diversos dias seguidos.

 

Começou, então, a surgir um pensamento dentro de mim, onde passei a reagir negativamente com ele por qualquer circunstância — o que começou a tirar por completo as minhas energias. Parecia que, toda vez que eu ia trabalhar, ia pesarosa, só esperando que as coisas dessem errado, voltando para casa no final do dia demasiadamente cansada.

 

Esse pensamento inicial cresceu e passou a dominar minha mente, meu ânimo e meu dia a dia. Eu não conseguia livrar-me dos pensamentos negativos que me estavam dominando, perante uma criança de cinco anos de idade. A frustração e impotência eram tão grandes que, toda vez que ia falar com ele, eu também me sentia com cinco anos de idade!

 

Isso se repetiu até que um dia, após diversos conflitos diretos com ele e comigo mesma, saí da escola pensando que nunca mais queria viver aquilo. Fui para casa decidida a pensar e estudar o que eu poderia fazer. É claro que a criança tinha suas dificuldades, mas minha conduta abatia o meu ser e não me parecia certa. Eu sentia-me alterada e sem controle da situação.

 

Entendi que eu deveria fazer uma seleção desses pensamentos de reação que me estavam prejudicando, e tentar colocar, aos poucos, um pensamento melhor no lugar. Passei a querer deixar esse pensamento prejudicial bem evidente para mim mesma, fazendo anotações em um pequeno caderno toda vez que ele aparecia.

Com isso, comecei também a observar, e muito, o esforço que o aluno fazia

para querer ser melhor. Ele tinha também características próprias muito boas, e eu deveria valer-me disso para o ajudar! Criei simultaneamente um plano de ação para ele e para mim mesma, como uma ajuda mútua.

 

Fazendo esse esforço, conforme o plano, um grande sentimento de afeto foi sendo cultivado. A partir do momento em que consegui ir modificando minha conduta, fazendo o que eu realmente queria e me havia proposto, ele também foi mudando.

 

Hoje nós temos um relacionamento completamente diferente: fico feliz e ansiosa ao vê-lo a cada dia, e sempre nos cumprimentamos e despedimos com um grande abraço. Ele ainda tem inúmeras dificuldades a enfrentar ao longo de sua vida, no entanto, já está dando seus primeiros passos nesse aperfeiçoamento.

 

Refleti sobre algumas situações anteriores em que não consegui controlar meus pensamentos e sucumbi diante das adversidades, por não ouvir a mim mesma. Mas, mudando algo dentro de mim, consegui transformar-me por fora. E aprendi que quem deve dirigir a minha vida é o meu verdadeiro querer!


Um pensamento de

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