Parece que, nos últimos tempos, dois conceitos estão em permanente luta, pois, diariamente, ouve-se a repetição invariável de um refrão: “É preciso acabar com as desigualdades.” Mas será mesmo? O que ocorreria se, de fato, acabassem as desigualdades? E por que esse afã de querer igualar a todos os seres humanos? Por que as diferenças entre uns e outros incomodam tanto?
Sem dúvida, este é um dos conceitos mais difíceis de entender e, talvez por isso, tenha causado tantas discussões e desentendimentos em diversas partes do mundo, ao ponto de provocar até revoluções violentas.
Muitas vezes, argumenta-se que a desigualdade é resultado apenas de uma distribuição injusta das oportunidades oferecidas pelo meio. Porém, ao observar a realidade pelas lentes da Logosofia, percebe-se que, mesmo em cenários de extrema dificuldade, há aqueles que superam as adversidades e triunfam, enquanto outros, com as mesmas – ou até melhores – condições, permanecem estagnados. A história e o cotidiano mostram, por exemplo, irmãos criados no mesmo lar, com a mesma alimentação e educação, que seguem rumos diametralmente opostos: um busca a evolução, enquanto o outro se entrega à inércia ou ao vício. Isso evidencia que a origem da desigualdade não é apenas externa, mas também interna.
O fermento do ressentimento, em geral, surge quando o ser, por falta de conhecimento ou de disposição para o esforço, observa outros que conseguiram alcançar posições de destaque e julga equivocadamente existir uma injustiça. Contudo, a desigualdade deveria ser vista sob outra ótica: um estímulo para quem quer se superar e um convite à generosidade para quem já alcançou uma posição superior. Aquele que sabe mais ou possui mais deve tornar-se um servidor da humanidade, dando o exemplo; e aquele que ainda não chegou lá deve inspirar-se nesses bons exemplos para impulsionar seu próprio crescimento, em vez de alimentar inveja.
Quando se tenta ignorar essa lei natural e busca-se igualar artificialmente os homens, acaba-se quase sempre nivelando-os por baixo. Isso é perigoso, pois desestimula aqueles que produzem e se esforçam a continuar a fazê-lo, freando o progresso coletivo. Em suma, a solução não é rebaixar quem subiu, mas oferecer os meios — o conhecimento — para que quem está embaixo possa subir também.
Entretanto, não é difícil entender que o ser humano é um indivíduo independente, dotado de mente, sensibilidade, vontade e livre-arbítrio próprios. A Logosofia apresenta um conceito dinâmico de igualdade: ela é uma lei que garante as mesmas prerrogativas a quem se encontra condições semelhantes. Porém, essa igualdade deixa de existir tão logo surja qualquer alteração na condição de alguém, fruto do esforço individual.
Isso leva a concluir que a igualdade verdadeira deve ser buscada sempre “para cima”. Assim como um soldado aspira, por mérito e estudo, a igualar-se ao general, o indivíduo deve procurar a superação constante. Deus criou o ser humano com a mais absoluta liberdade e nunca deixou de respeitá-la.
Assim, o que o ser humano é ou consegue ser é de sua exclusiva responsabilidade. As desigualdades surgem porque alguns trabalham e aplicam seus recursos e inteligência para avançar no árduo caminho da evolução, colaborando para o bem comum, enquanto outros escolhem caminhos diferentes.
A igualdade, portanto, é aquela que oferece a todos a oportunidade de evoluir, respeitando a distância que cada um percorre com suas próprias pernas. Não está agora claro qual é o real motivo e a verdadeira função das desigualdades?
