Você já vivenciou a experiência de visitar algum local cujo acesso é permitido somente com a presença de um guia? Penso que sim, pois é cada vez mais comum que locais turísticos adotem essa prática.
Certa vez, estive em uma cidade turística, reconhecida por suas belezas naturais, que adota essa prática. Com poucas exceções, a maioria das atrações turísticas da cidade apenas é acessível para quem contrata os guias especializados e cadastrados pela Prefeitura local. Decidi visitar uma gruta muito famosa e, para isso, contratei um guia. Curiosamente, o acesso até a gruta fiz com meu próprio carro. Muitos pensamentos surgiram, do tipo: “essa história de guia é só uma forma da Prefeitura arrecadar dinheiro fácil”.
Chegando ao local, o guia nos esperava com a chave do cadeado do portão que dava acesso à gruta. Ele abriu o cadeado, e estávamos em um grupo pequeno, de no máximo dez pessoas, todas com a permissão (escrita e paga) para iniciar a descida por aquilo que, aparentemente, era somente um buraco.
Percebi que havia mais de um guia: um descia na frente, liderando a fila, e outro vinha no final. Dois ficaram fora da gruta, guardando a entrada. À medida que descíamos, notei que a luz diminuía e as dificuldades aumentavam. Ainda assim, não considerava a presença do guia imprescindível, pois, na prática, ele não parecia ajudar em nada. Eu tinha que descer concentrada, atenta e segurando-me nas cordas que eles instalaram para evitar escorregar na lama que cobria as escadas. Pelo preço que paguei, o guia deveria, no mínimo, carregar-me no colo!
Como é natural, quando a escuridão aumenta, qualquer foco de luz se torna perceptível. Ao seguir um feixe de luz com o olhar, percebi que ele vinha de um pequeno buraco, bem lá no alto. Segui a luz até onde ela tocava o solo e vi que era uma altura gigante. Lá embaixo, ossadas de animais mortos – de grande porte, como cavalos e bois. A cena me chocou. Imaginei aqueles animais, que certamente viviam livres na região, caminhando despretensiosamente e caindo naquele pequeno buraco, direto para a morte a mais de 100 metros de profundidade.
Quando saímos da gruta, pude observar que aquele buraco por onde os animais caíram ficava justamente acima da entrada da caverna por onde havíamos entrado. Como a caverna é mantida com chave e cadeado e o acesso é totalmente restrito, nós, seres humanos, não corríamos o mesmo risco que os bichos corriam: cair naquele local.
Compreendi a necessidade (e a obrigatoriedade) de fazer uma incursão como essa somente com guia muito bem treinado, que, embora não tenha me carregado no colo na descida ou na subida, garantiu minha segurança durante toda a experiência.
Esse era o papel do guia: mostrar a entrada correta, garantir a segurança ao longo do caminho e me trazer de volta após a incursão, sã e salva.
Se na vida física as coisas acontecem dessa forma, na vida espiritual também devem ocorrer de maneira correspondente.
Ao olhar para dentro de mim, percebi uma cena semelhante à que encontrei na caverna: no começo, conhecer a mim mesma parecia muito acessível e fácil, mas, à medida que me aprofundo na minha vida interna, as dificuldades se apresentam naquelas partes onde ainda há pouca luz.
Antes de conhecer a Logosofia, tentei percorrer esse caminho sozinha, crendo que os conhecimentos que eu possuía, herdados da família, da religião e da cultura geral, seriam suficientes para responder perguntas como: quem sou eu? Qual minha missão na Terra? De onde vim? Para onde vou?
É por isso que valorizo tanto ter encontrado um guia experiente, que me conduz com segurança para que eu não me perca dentro de mim mesma. Desde que tive contato com a Logosofia e com seu autor, Carlos Bernardo González Pecotche, que, por ter percorrido dentro de si os vales, montanhas, mares e desertos que configuram toda a complexidade da psicologia humana, me dá segurança e tranquilidade de que, por esse caminho, eu vou e volto.
