Certa vez, apresentaram-me a seguinte questão: “Quando uma árvore cai em uma floresta deserta, ela faz barulho?” Por incrível que pareça, essa questão intrigou alguns pensadores, que chegaram à conclusão de que não há barulho pois não há ninguém para ouvir.
Disso resulta que, no caso dos ruídos, nem sempre o transmissor consegue atingir os ouvidos do receptor. Já na comunicação, o transmissor pode até alcançar os ouvidos, mas nem sempre consegue alcançar a compreensão do receptor.
Dessa forma, constata-se que uma parte importante da comunicação – que, na minha opinião, talvez seja a mais importante – está nos ouvidos do receptor. Mesmo assim, muitos têm se preocupado mais com os comunicadores, influenciadores e formadores de opinião, e são poucos os que se dedicam a cuidar adequadamente dos receptores.
Como todos temos olhos e ouvidos, ver e ouvir sem pensar é a tendência natural, pois são sentidos do corpo que se manifestam involuntariamente. Já enxergar e escutar são ações que requerem o livre-arbítrio, permitindo julgar e interpretar o que os olhos e ouvidos captam. Ver sem enxergar ou ouvir sem escutar é muito parecido com ler sem entender. Daí a importância do livre-arbítrio.
A visão e audição são inatas, mas a capacidade de enxergar e escutar não. O livre arbítrio também é inato no ser humano, mas a habilidade de julgar precisa ser desenvolvida. Assim como escutar é exercitar a audição, o livre-arbítrio é o exercício da razão. Ele deve ser estimulado para não ser anulado, como ocorreu com muitos jovens dos anos 1930 e 1940. Eles foram adestrados para lutar em prol das ambições de líderes totalitários e suas ideologias extremistas. Esses jovens nunca conheceram a verdadeira liberdade, porque lhes foi negado o livre-arbítrio.
Diante dessas lições do passado e da realidade atual das redes sociais, surge a questão: é mais inteligente cuidar dos receptores ou se preocupar somente com o que dizem alguns transmissores?
Se considerarmos que todo transmissor, seja ele bem ou mal formado, já passou por sua fase de receptor – assim como todo adulto já passou por sua infância – a resposta se torna clara para mim: é fundamental cuidar também da boa formação dos receptores, ou seja, zelar pela infância e pela adolescência.
Ensinar o bem é, acima de tudo, dar bons exemplos aos receptores iniciantes. Essa é a grande responsabilidade de comunicadores, formadores de opinião, gestores, políticos, pais e educadores. É essencial que todos os transmissores estejam conscientes de que suas condutas refletem seus valores morais. Nos relacionamentos humanos, o exemplo de uma conduta ética, fundamentada em elevados valores morais, é a melhor forma de ensinar aos receptores. Essa responsabilidade primordial recai sobre todos aqueles que ocupam posições de destaque, pois são naturalmente seguidos por aqueles que ainda não chegaram a essa condição. Por isso, ensinar pelo próprio exemplo é a maneira mais sublime, elevada e eficaz de educar.
Este é, portanto, o X da questão: ter escolas em que muitos possam aprender para, posteriormente, ensinar pelo próprio exemplo. E esta é a meta: formar milhões de transmissores e receptores conscientes de seus valores morais e em pleno exercício do livre-arbítrio. A partir daí, haverá a mais ampla liberdade de expressão para todos.
Por experiência própria, posso afirmar que conheço uma escola que oferece esse tipo de ensino. A decisão de iniciar os estudos, porém, sempre cabe ao indivíduo – não à comunidade. Se você é adulto e quiser saber mais, clique aqui: https://logosofia.org.br/
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