A resposta a essa pergunta desafia a humanidade desde seu alvorecer e, pelo visto, continuará além do alcance das mentes humanas, mesmo depois de rompidos todos os horizontes físicos do tempo e do espaço.
Meu pai selou um pacto com dois de seus mais fiéis amigos: o primeiro que se fosse voltaria para revelar como seria o lado de lá. Esse não voltou, assim como o segundo amigo, e meu pai continuou ignorando o rumo que tomaria alguns anos depois.
Quantas histórias de pactos semelhantes já ouvimos! E, exceto pelo que se percebe nas experiências internas e nas projeções do próprio pensamento, não se tem notícia de que alguém tenha voltado para contar algo do que nos espera. Aliás, há mesmo quem, contra todas as evidências, sustente que, além das fronteiras conhecidas, não existe nada.
Carlos Bernardo Gonzalez Pecotche, criador da Logosofia, questiona aqueles que, prestes a morrer, rogam por algum tempo a mais. Para quê?, pergunta ele, para viver a mesma vida intranscendente, limitada pelas crenças, preconceitos e deficiências psicológicas?
A Logosofia ensina que a inércia é “a ausência de vida” e que, para o pensamento logosófico, a Lei de Movimento que deve reger a vida humana tem seu mecanismo central na mente do homem. Não se trata, pois, de mera atividade física, pois esta, sem a coordenação inteligente da mente e sem ser guiada pelo princípio de bem, difere pouco ou quase nada do movimento cíclico e inconsequente dos animais.
“Vida é ação”, ouvimos proclamarem aos quatro ventos. Sim, mas a verdadeira vida – aquela que nos dignifica ante o Criador – deve ser pautada pelo movimento harmônico das faculdades mentais. Ela busca promover, por meio do conhecimento transcendente, o constante autoaperfeiçoamento, de modo a nos capacitar, simultaneamente, a colaborar para que outros também experimentem a ampliação da vida para além dos limites da matéria. Aí, então, penso que talvez possamos começar a conhecer um pouco do que se esconde por trás dessa porta hermeticamente selada e muda a que chamamos de morte.
