Aquele que se propõe levantar um edifício necessita, para assegurar sua estabilidade e solidez, conhecer antes a firmeza do terreno sobre o qual construirá os alicerces, bem como a qualidade do material que empregará para levar isso a cabo. Com igual lógica, podemos dizer que a obtenção de uma capacitação psicológica e mental, como a que a Logosofia demanda, deve basear-se na solidez a toda prova do terreno mental e no conhecimento prévio dos elementos que haverão de integrar essa capacitação.

Ao considerá-la subordinada em parte à qualidade e harmonia do conjunto das faculdades centrais do mecanismo mental, é razoável pensar que se deverá começar por conhecer como funcionam tais faculdades. 

A Logosofia já mencionou a tendência do homem para o fácil, afirmando que a causa dessa propensão reside na falta de capacidade para enfrentar as dificuldades que se apresentam, provenham elas de problemas, projetos, situações, etc. Isso obedece quase sempre à ausência de um treinamento que possibilite realizar com êxito o esforço que essas dificuldades demandam; resumindo, tal inaptidão se revela pela carência dos estímulos positivos que a própria capacidade proporciona diante de qualquer emergência.

Postas às claras as causas que dão origem a essa aversão que o ser experimenta a tudo o que lhe exige algum esforço – de modo particular o esforço mental –, chegamos à conclusão de que, para emancipar-se dessa propensão ao fácil, acentuadamente negativa, deve ele capacitar-se, adestrar-se e criar estímulos.

Capacitar-se significa dar lugar na mente a elementos que habilitam o ser para desempenhar-se com idoneidade e independência

O adestramento, por ser um exercício da capacitação, aumenta a agilidade mental, predispondo o ânimo ao feliz desenvolvimento da vida, a qual constitui por si uma fonte criadora de estímulos que movem a vontade para uma atividade fecunda, necessária em alto grau à realização, sem maiores tropeços, do processo de evolução consciente que o aperfeiçoamento integral do próprio ser reclama.

Assim, pois, com o conhecimento da deficiência assinalada, e mantendo-a sempre à vista, afastar-se-á toda ideia de realização fácil, para encarar os estudos com seriedade e, assim, propiciar o despertar do entusiasmo, que se manifestará tão logo o ser comece a internar-se no vasto campo da sabedoria logosófica.

Extraído de Logosofia: Ciência e Método, p.30


Carlos Bernardo González Pecotche, também conhecido pelo pseudônimo Raumsol, foi um pensador e humanista argentino, criador da Fundação Logosófica e da Logosofia, ciência por ela difundida. Nasceu em Buenos Aires, em 11 de agosto de 1901 e faleceu em 4 de abril de 1963. Autor de uma vasta bibliografia, pronunciou também inúmeras conferências e aulas. Demonstra sua técnica pedagógica excepcional por meio do método original da Logosofia, que ensina a desvendar os grandes enigmas da vida humana e universal. O legado de sua obra abre o caminho para uma nova cultura e o advento de uma nova civilização que ele denominou “civilização do espírito”.