Comportamento

O jovem, o direito e o dever

julho de 2020 - 3 min de leitura
Comportamento

O jovem, o direito e o dever

julho de 2020 - 3 min de leitura

Para a Logosofia, trata-se de “um fato comprovado que o instinto suscita prematuramente no ser humano o problema de sua liberdade, ao confundir este, desde tenra idade, obediência com submissão e reagir em consequência disso”.

Noutro ensinamento, assinala que a liberdade forma o vértice de um triângulo cuja base repousa no direito e no dever.

É possível ser livre sem ter deveres?

São duas, portanto, as facetas da liberdade: a liberdade-direito, por um lado, e a liberdade-dever, por outro. Uma não existe sem a outra. É algo até fácil de aceitar, mas… só na aparência. Na hora agá, o que mais se ouve é: “Eu não abro mão de meus direitos!”. Vejamos alguns casos ilustrativos. 

Numa apresentação de música erudita no salão do conservatório, uma dupla jovem incomodava a todos com sua conversa e seus risos. Abordados por alguém, invocam a liberdade e ainda se mostram ofendidos. “Estamos ou não estamos num país democrático, afinal?!”. 

Conceição, jovem voluntária que se fez tesoureira daquele clube assistencial, faltou pela duodécima vez à reunião da diretoria, sem justificar nada. Cobrada pelo presidente, explicou com frescor primaveril: “Quando chegou a hora, não tive um pingo de vontade de ir, o senhor acredita? É que eu não abro mão de minha liberdade por nada, o senhor sabia? Por isso é que nunca quis vínculo empregatício pro meu lado! Sou uma self made woman!”. 

E que falar dos irmãos Guigui e Coromar? A dupla enlouquece os vizinhos com o volume de seu aparelho de som, infernizando os dias, as noites e as madrugadas da pobre gente. E se escudam no refrão de todos os dias: “Somos livres, e acabou!”. 

Noutro tempo, não muito distante, e ainda que o exemplo do meu amigo Adelmo Belisário seja anacrônico, vale a citação. Estava ele numa turma do curso pré-vestibular, assentado na frente de duas moças que mais pareciam chaminés: era um cigarro atrás do outro. Adelmo lhes pediu consideração, mas elas reagiram em nome da liberdade. Adelmo foi ao diretor, que lamentou muito, mas… também lembrou a nobre questão da liberdade.

No dia seguinte, Adelmo acendeu um charuto dos mais fedidos na sala, e foi um deus-nos-acuda. Desde os cabelos das donzelas até o gabinete do diretor, tudo ficou impregnado daquela emanação nauseabunda. Era o cheiro da liberdade… 

A liberdade não se exerce sem os demais

Jovens assim esquecem que viver em sociedade é firmar parcerias. E parceria também implica deveres. Quem invoca a liberdade-direito em seu favor, tem de cumprir com a liberdade-dever em favor dos demais. 

Existe, pois, a liberdade-dever de respeitar a liberdade-direito de nossos semelhantes quando eles fazem silêncio numa audição de música erudita, quando querem manter sua saúde respirando um ar puro, quando esperam da tesoureira do clube o cumprimento de suas sabidas obrigações, quando querem desfrutar de um ambiente menos barulhento na intimidade de seus lares. 

Refletindo sobre tal realidade, moços e moças inteligentes podem começar a descobrir, na vida diária, a enorme diferença que existe entre rebeldia e liberdade. 


Um pensamento de

Você também pode gostar

Comportamento

A paciência na vida do adolescente por Elmo Patrus, Ian, Júlia Candiani e Antônio Cabral | Logosofia

Os adolescentes Júlia Candiani, Elmo Patrus e Ian Soares Veiga conversam com o experiente Antônio Cabral sobre a paciência e a construção da vida com auxílio da Logosofia.

Comportamento

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar?

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Uma oportunidade pode ser apresentada duas vezes na vida? Neste artigo, Pedro Oliveira conta uma experiência em que superou sua conduta e cultivou valores como ...

Comportamento

Dá para mudar o mundo?

Quem nunca se perguntou se nasceu na época ou no mundo errado? Foi essa a sensação que o autor teve na adolescência, ao notar que não se encaixava nos padrões de sua geração. Por pensar difere...