Mente

Mundos Mentais

abril de 2026 - 7 min de leitura
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Mundos Mentais

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Os motivos do estudo

Iniciei o estudo de um tema logosófico cuja compreensão se torna necessária a quem pratica Logosofia. Além de figurar entre os conceitos mais citados nas obras de Carlos Bernardo González Pecotche, seu criador, sua correta interpretação favorece uma prática experimental mais consciente e acertada. Trata-se do conceito de mundos mentais

É um tema que não se esgota, pois, dentro da espiral ascendente do aperfeiçoamento humano, sempre é possível evoluir, melhorar e até rever a própria compreensão, já que o conhecimento alcançado se limita ao nível de consciência alcançado.

 

A busca pela transcendência

O estudo da mente humana e de suas possibilidades de evolução leva à necessidade de compreender os pensamentos e o ambiente em que as faculdades mentais atuam. 

Comumente o homem, preso aos problemas correntes, vive imerso em uma rotina que limita sua percepção da realidade, restringindo a  vida a aspectos puramente físicos ou a preocupações triviais. Buscar pela transcendência – elevar-se acima do vulgar, superar limites e ir além do trivial – requer um processo de evolução consciente

Esse processo leva o indivíduo a conhecer com precisão os mundos em que a mente pode atuar. Por meio do estudo, é possível compreender como alguns desses níveis estão constituídos. 

Sua compreensão é fundamental para que o ser humano saia da ignorância (entenda-se falta de conhecimento) e avance em direção a uma visão mais ampla da realidade da Criação.

 

A divisão dos mundos: do físico ao  imaterial

A premissa desta exploração é o conceito de que o mundo mental é o mundo real. O mundo físico, tangível, é apenas o resultado de movimentos mentais prévios, realizados por aquele que o criou. Contudo, é necessário começar esclarecendo que temos um mundo físico, distinto do mundo não-físico.

O mundo físico é dominado pela matéria, com baixa vibração e alta densidade. É o mundo dos sólidos, líquidos e gases, onde a combinação de átomos dá forma às ideias do Criador. 

Porém, devemos considerar que, mesmo no plano físico, existem densidades diferentes de matéria. Um exemplo disso são as ondas eletromagnéticas, que, embora invisíveis, pertencem ao universo físico devido à sua natureza material.

O mundo não-físico, por sua vez, apresenta certas semelhanças com o físico.  Assim como o mundo físico possui estados de matéria determinados pela vibração, o mundo não-físico, ou imaterial, também se organiza em camadas ou esferas de densidade distinta. A Logosofia classifica essas camadas em três grandes mundos mentais: o Mundo Comum, o Mundo Subtranscendente e o Mundo Transcendente.

 

  1. O Mundo Comum e a mente inferior

O Mundo Comum, também denominado mundo profano, mundo corrente ou circundante, é a camada mental mais próxima da vida física. É o mundo dominado pela mente inferior, pelos pensamentos comuns, marcado pelas preocupações cotidianas e tudo o que o homem faz voltado para o material. Nesse mundo, é inegável que o homem desenvolveu coisas estupendas que beneficiaram e beneficiam fisicamente e materialmente toda a humanidade.

A vida neste plano é descrita como comum e estéril, onde as conversas giram em torno de trivialidades — o clima, as notícias do jornal, a economia, a roupa nova — e onde o tempo não é aproveitado, mas sim lamentavelmente perdido. É o mundo da sobrevivência, das distrações e das reações automáticas. Nele, o ser humano move-se em círculos restritos: de casa para o trabalho, do trabalho para o clube e, dentro de casa, de um cômodo para outro. As imagens gravadas na mente de quem habita exclusivamente este mundo resumem-se a jogos de infância, romances de juventude e piadas cotidianas. E ouso acrescentar ainda que, mais modernamente, as danosas imagens que circulam pelas redes sociais também contribuem para essa limitação. 

É importante notar que o Mundo Comum não é o mundo físico em si, mas o conjunto de pensamentos que orbitam a vida física. São as criações mentais voltadas exclusivamente para problemas da vida material comuns, alimentadas pelas deficiências psicológicas e pela falta de cultivo interno do ser humano. Essas construções se manifestam na  vida diária, mas têm origem essencialmente mental, não física.

 

  1. O Mundo Subtranscendente: a ponte para o Mundo Superior

Entre a densidade do mundo comum e a elevação do mundo transcendente existe um espaço intermediário, crucial para a evolução consciente: o Mundo Subtranscendente.

O papel do mundo subtranscendente é pedagógico e preparatório. A mente comum não está apta a ingressar diretamente no mundo transcendente; ela precisa de adaptação. Pecotche ensina que o ambiente da Fundação Logosófica foi criado justamente no mundo subtranscendente. Trata-se de um local de transição, onde os processos de evolução individuais experimentam experiências de ordem superior, sem, contudo, adentrar o mundo transcendente. 

É nesse espaço que a verdade da Criação pode ser percebida como um fato existente para a consciência individual. Se os conhecimentos transcendentes fossem apresentados diretamente, poderiam parecer inalcançáveis, desanimando o estudante. O mundo subtranscendente atua como um verdadeiro laboratório, onde se experimentam as sensações do mundo superior, preparando a mente para compreender e adaptar-se a uma nova realidade.

 

  1. O Mundo Transcendente: a realidade imaterial

O terceiro mundo mental, o Mundo Transcendente, também é referido por Pecotche como Mundo Mental, Metafísico, Causal ou Ultrassensível.

Enquanto dicionários definem transcendência apenas como o ato de “ultrapassar limites” ou “superar” o que é comum, a Logosofia oferece um conceito mais depurado. No livro O Mecanismo da Vida Consciente,  o autor da Logosofia define este mundo como:

“… o mundo mental, o mundo imaterial, que preenche todos os espaços do Universo… povoado de imagens maravilhosas que descobrem até os mais raros processos da Criação”.

Diferente do “Mundo das Ideias” de Platão, apresentado como estático e feito de conceitos imutáveis, o Mundo Transcendente apresentado pela Logosofia é dinâmico e consubstancial com a vida. É o âmbito natural das Ideias e da Energia Suprema, onde reina o Pensamento de Deus. No livro O Senhor de Sándara, o autor assim o define:

“Mundo mental, imaterial, ultrassensível ou causal (ainda, superior ou metafísico). Âmbito natural das ideias, dos pensamentos e da Energia Suprema, que palpitam no existir de toda Criação, onde reina permanentemente o Pensamento de Deus. Mundo consubstancial com nossa vida, o qual permite manter perfeita correlação mental com o processo da Vida Universal. Mundo real, é o fundo mesmo da Criação, onde se conjugam todos os segredos e se revelam todos os mistérios.”

 

A Dinâmica dos Mundos: interpenetração e sintonia

Mas, como podemos identificar esses mundos? Eles não se encontram em planetas distantes nem em outras dimensões separadas;  coexistem no mesmo espaço, interpenetrando-se. Para entender melhor, utilizo a analogia das ondas de rádio.

As diversas frequências de ondas definem as estações de rádio. Ao serem decodificadas, transformam-se em som. Todas as frequências ocupam o mesmo espaço físico, transitando, por exemplo, num mesmo espaço de forma simultânea. Da mesma forma, os mundos mentais estão todos presentes onde quer que você se encontre. O que determina o acesso a um ou outro é a “sintonia” do equipamento mental do ser humano. Vivemos, na maior parte do tempo, sintonizados na frequência do mundo comum, bombardeados por pensamentos que trazem efêmeras preocupações, sem percebermos que temos a prerrogativa de acessar o mundo transcendente e o subtranscendente – os quais aguardam que a mente se capacite para captá-los (ou que o “rádio” seja consertado e tenha sua potência ampliada).

 

A experiência prática da transcendência

A teoria dos mundos mentais culmina na prática diária. A obra logosófica é considerada transcendente porque seus conhecimentos, embora traduzidos e colocados no nível subtranscendente para acesso humano, têm sua origem na fonte transcendente: a Mente Cósmica.

Estudar Logosofia é, por definição, um ato de transcendência, pois afasta a mente do comum e a aproxima dos conceitos do Criador, através do estudo individual, da colaboração e das atividades de estudos conjuntos. 

A transcendência se revela nas experiências e vivências individuais. Ela se manifesta quando buscamos compreender a razão do outro diante de uma discórdia, superando a própria reação pessoal, ou ao extrair sabedoria frente às adversidades, compreendendo que são expressões das leis universais e não meros infortúnios físicos.

 

Conclusão

Os mundos mentais não são abstrações filosóficas distantes, mas realidades que definem a qualidade da vida humana. O trânsito do mundo comum para o transcendente, passando pela ponte do subtranscendente, é o caminho da evolução consciente. Compreender isso permite ao ser humano deixar de ser uma “massa” sintonizada apenas na sobrevivência e tornar-se um indivíduo capaz de captar e manifestar as grandes frequências do universo.


Um pensamento de

 Clovis Luis Jacoski
Clóvis Luís Jacoski nasceu em Chapecó, SC, é casado e tem dois filhos., e exerce a função de Auditor Fiscal. Estuda na Fundação Logosófica de Chapecó.

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