Já vimos que Raumsol ensina sobre a realidade de que as deficiências psicológicas são feras mentais que devoram pensamentos e projetos úteis e que podem procriar e adquirir vida ativa na mente. Sabemos também que existe um método para superar essas deficiências da psicologia humana e que devemos, se quisermos ser pessoas melhores, exercitar a atenção e a observação interna para então iniciar um processo consciente de identificar e substituir os pensamentos “feras” (os inimigos) por pensamentos bons (os eficientes) que, ao final do processo, se somarão ao caráter na condição de virtudes. 

  • Como você tem se saído na prática de enfraquecer ou neutralizar as deficiências psicológicas?
  • Já conseguiu praticar?
  • Já sabe como superar uma deficiência?
  • Surgiu alguma dificuldade nesse processo?
  • E o que mais favoreceu você no processo de conhecer a si mesmo? 

Ao longo dos conteúdos nos detivemos muito ao assunto das deficiências psicológicas. No entanto, é importante perceber que o método de Raumsol ensina sobre uma evolução consciente e integral do ser humano. Segundo o autor, o trabalho com as deficiências é um dos mais basilares na busca pelo conhecimento de si mesmo, mas não é possível deter-se aí. A revisão de conceitos, o estudo sobre os sentimentos, buscar conhecer sobre as Leis Universais, entre muitos outros temas, são alguns dos passos nesse labor. 

Buscando otimizar o esforço na identificação, classificação, enfrentamento e neutralização das deficiências psicológicas, apresentarei logo abaixo alguns passos que dei juntamente com algumas perguntas que me fiz com o propósito de projetar pontes para a construção de novas virtudes: 

  1. Primeiro: escolher alguma situação que vivi, mas que, se pudesse voltar no tempo, faria de maneira diferente. Descrever essa situação tal como ocorreu. Listar o que recordo, o que pensei naquele momento, a “fala” dos pensamentos ou suas “sugestões”. Qual era o objetivo desses pensamentos? Anotar.
  2. Agora, projetar-me como sendo outra pessoa olhando de fora para aquela situação. Anotar como essa pessoa teria me visto. Listar o ponto de vista dessa pessoa olhando de “fora”. Qual seria o meu comportamento sob a perspectiva dela?
  3. Repetir essas etapas para que fique gradualmente mais claro o que vivi internamente. Responder: Quais sensações, ideias, pensamentos e ímpetos estavam presentes na minha mente ao agir daquela forma?
  4. Provavelmente aqui já estarei chegando perto da identificação de um dos pensamentos que caracterizam uma deficiência. Já é possível identificá-la? Seria a irritabilidade, a vaidade, a impulsividade, a rigidez? Procurar no livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano” aquela que melhor descreve o ambiente mental.
  5. O próximo passo: eu classificaria essa deficiência psicológica como dominante maior, dominante menor ou benigna? Para ajudar na decisão, pensar sobre a frequência com que ela costuma se apresentar. Será que ela aparece em outras situações vividas por mim? Se a resposta for positiva, tal deficiência psicológica pertencerá possivelmente ao grupo das dominantes maiores.
    Uma perguntinha: na situação em que pensei, percebi que a “fera” não atuou sozinha? É possível que tenha identificado a atuação de duas, três ou mais deficiências psicológicas? Para otimizar o esforço, focar naquela que mais se aproxima da descrição daquilo que vivi.
  6. O próximo passo é estudar a antideficiência. Entender como atua o pensamento específico que contrapõe a deficiência psicológica. Depois, assim como um cientista que vai colocando elementos novos no seu experimento, ir gradualmente cultivando o novo pensamento na mente, povoando-a com este e com outros pensamentos auxiliares, todos de mesma índole (pensamentos bons). 

Esse “passo a passo” funcionou muito bem para mim e, quem sabe, possa também auxiliar você nesse processo de conhecer a si mesmo. Fique à vontade para realizar mais perguntas nesse passo a passo. Aliás, é importante que as faça, sempre lembrando que o método é adaptável a cada psicologia. 

Se cheguei até aqui nesse processo de evolução de forma consciente, a próxima pergunta que devo fazer é a seguinte: na oportunidade que tive de atuar com a antideficiência, fui assertivo? Tive sucesso? Se não tive, devo recomeçar o processo pela primeira pergunta. Mas, se tive sucesso, devo anotar a experiência e os resultados, sem deixar de registrar o que senti ao longo do “caminho” percorrido. Então, repetir a experiência tantas vezes que puder, reforçando os estímulos positivos por meio da anotação e, sempre que necessário, fazendo ajustes na estratégia a fim de aprimorá-la. Quando esse movimento já for “automático”, é sinal de que obtive avanços com essa deficiência e que já posso realizar o movimento com outra, preferencialmente uma daquelas classificadas como “dominantes maiores”. 

Aquele que se dedica ao aperfeiçoamento da prática de superar a si mesmo, todos os dias, pode carregar consigo a certeza de que está no caminho certo da construção de um mundo melhor a partir de si mesmo. Afinal, já sabemos: o exemplo positivo é capaz de criar ao redor do ser um círculo virtuoso que, por sua vez, estenderá o bem a todos aqueles com quem o ser convive, e estes terão também a oportunidade de corresponder ao bem recebido — agora em uma escala exponencial, até que atinja toda a humanidade. 

Pensar sobre as consequências desta prática positiva é, com certeza, um primeiro passo importante para a construção de uma estratégia eficiente na luta pela superação de si mesmo.

Deficiências e Propensões do Ser Humano

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