Já pensou na maravilha que é se preparar, desde jovem, para a chegada de um filho?
Desde que iniciei meus estudos logosóficos na juventude, ainda durante o namoro com o meu marido, começamos a pensar e a planejar o futuro e a família que queríamos formar. Participamos de muitos cursos para pais, palestras sobre educação de filhos e outras atividades relacionadas. Atualmente, faço parte de um grupo de estudo sobre educação de filhos voltado para a adolescência, o que tem me ajudado muito na convivência e orientação dos meus filhos.
Já vivi muitas experiências planejadas, mas, na maioria das vezes, preciso atuar de imediato, valendo-me dos recursos que já tenho. Por isso, estudar, munir-me de elementos, cultivar pensamentos pensados e conhecer a experiência de outros pais me ajuda muito na minha atuação diária como mãe de três.
Certo dia, tivemos uma conversa bem acalorada com um dos nossos filhos. Fomos dormir agitados – nós três: meu marido, nosso filho e eu. Mas sabíamos que aquele não era o momento de continuar a conversa; precisávamos esfriar a cabeça e mudar os pensamentos.
No dia seguinte, nosso filho acordou um pouco mais calmo, embora ainda longe de estar 100%. Voltamos ao assunto e ele começou a chorar. Ficou agitado e disse que não queria ir para a escola daquele jeito. Eu saí de casa levando nosso outro filho, pois naquele dia eu tinha atividade na Fundação Logosófica às 7h10. Quando estava na porta, meu telefone tocou. Era o nosso filho.
– Oi, mãe, onde você está?
– Estou na porta da escola. Tenho reunião hoje. Por quê?
– Nada não, mãe
– Filho, pode falar. O que foi?
– Nada não, mãe, pode deixar. Beijos
– Beijos
E desligamos o telefone. Quem tem filho adolescente sabe que o “nada não” tem muita coisa. Em frações de segundos, meus pensamentos me diziam: tenho uma reunião agora sobre educação de filhos, que é importante, e já estou na porta da escola. Mas o que é mais importante: estudar sobre a educação do meu filho ou atendê-lo no momento em que ele precisa? Voltei para casa imediatamente. Moro a cinco minutos da escola e rapidamente cheguei em casa.
Meu filho estava deitado no sofá, e eu me deitei ao seu lado, abraçando-o. Ficamos ali em silêncio por por cerca de 30 minutos. Fiz cafuné e dei muitos beijos, mas não falamos nada. Quando se aproximou o horário da segunda aula, falei com ele para se levantar e se arrumar para ir à escola. Ele estava mais tranquilo. Fomos caminhando e conversando até lá. Voltei para casa e comecei a trabalhar, ainda com agitação interna e pensando em como ajudá-lo.
Meu filho chegou da escola um pouco mais cedo, bem mais tranquilo, e veio direto falar comigo:
– Mãe, não precisava você ter voltado para casa e perdido sua reunião.
– Filho, a reunião era sobre educação de filhos e me ajuda e me faz muito bem. Mas, naquele momento, você precisava de mim, e isso é o mais importante.
Nos abraçamos forte e choramos juntos. Mais uma vez, disse a ele o quanto o amo e o quanto quero o seu bem. Expliquei que, mesmo que naquele momento parecesse que a decisão que tomamos não era a melhor, no futuro ele compreenderia.
Iniciamos uma conversa profunda, em um momento oportuno, em que ele estava receptivo para ouvir o que eu tinha a dizer, e vivemos um momento muito feliz.
O que ficou para mim dessa experiência foi a oportunidade de me munir de elementos, pensamentos e sentimentos, sempre orientada pelos valores que tenho e quero transmitir aos meus filhos. Aprendi também que preciso sempre estar pronta, preparada e atenta às oportunidades que se apresentam de conversar e oferecer carinho.
