Vida

É possível viver uma nova vida?

março de 2026 - 4 min de leitura
Vida

É possível viver uma nova vida?

março de 2026 - 4 min de leitura

Sim, mas muitas mudanças são necessárias. É difícil, mas não impossível. A maioria dos seres humanos quer ser melhor, superar-se. Como fazê-lo? Essa é a maior dificuldade enfrentada por todos. Aprendi com a Logosofia que preciso mudar velhas modalidades, hábitos, conceitos e pensamentos por outros melhores, realizando o processo de evolução consciente e seguindo o método que o seu autor ensina.

 

Fácil lhe será compreender, agora, que dizer “Por que sou o que sou!” vale tanto como dizer: “Ainda não tentei ser outra coisa”. Muito prontamente, porém, você deixará de ser o que é, se se propuser mudar as velhas modalidades por outras novas e melhores, e, sobretudo, se começar a viver uma vida de enriquecimento moral, intelectual e psicológico capaz de mudar a anterior, que, ao que parece, já não satisfaz a seu entendimento. (do Livro Diálogos, p. 162).

 

Pode-se falar de vários aspectos que precisamos mudar. Da minha parte, tenho aprendido que não devo culpar, julgar ou apontar as imperfeições do outro. Cabe-me eliminar minhas próprias deficiências, evoluir como ser humano e empenhar-me em  ser melhor a cada dia, voltando-me para dentro de mim mesmo. Posso levar um elemento de reflexão, mas nunca apontar o defeito do outro, pois isso somente gera reação e não ajuda em nada.

“Ninguém se arrependerá jamais de falar bem dos outros.” (González Pecotche). 

 

Relato aqui uma vivência: identifiquei um traço negativo em um parente e não o manifestei, ficando apenas no pensamento. Tempos depois, percebi-me atuando com a mesma deficiência. É fácil ver as imperfeições do próximo; difícil é reconhecer as próprias. 

 

O mesmo acontece com diversos pensamentos recorrentes: a queixa, a crítica, o incômodo por ninharias, a tendência de acreditar que a culpa é sempre do outro. Por isso, ao identificar deficiências psicológicas no semelhante, é necessário voltar-se para dentro e perguntar: será que também carrego isso em mim?

 

Um aspecto importante de refletir é sobre a personalidade: seria ela algo necessariamente bom? Na cultura corrente, parece que sim. Existem até “as personalidades do ano” escolhidas pela mídia, o que não pode ser considerado uma característica positiva. No entanto, o termo personalidade deriva de persona, que significa “máscara” ou “papel”. Sua origem está no teatro clássico, em que um mesmo ator usava diferentes máscaras para representar vários personagens.

 

Nesse sentido, a personalidade se opõe à individualidade pois diz respeito ao que o ser apresenta externamente, muitas vezes para parecer melhor do que realmente é. Isso pode favorecer deficiências como vaidade, orgulho, soberba, petulância e cobiça. O indivíduo passa a crer que é mais do que de fato é, o que resulta em contradições, desencontros e desavenças entre os seres.

 

Libertar-se do peso da personalidade é um desafio que exige mudanças profundas. É necessário  substituir deficiências psicológicas por virtudes correspondentes. Trabalho com a despersonalização há bastante tempo e já realizei avanços nesse aspecto.  Ainda assim, continua sendo uma luta constante.

 

Mas o que seria individualidade, o oposto de personalidade? É o cultivo constante das virtudes – como paciência, tolerância, generosidade, humildade e afeto – elevando as qualidades morais e psicológicas do ser. Ser um indivíduo com qualidades morais, psicológicas e espirituais elevadas, demonstrando integridade de caráter.

 

Minha busca por evitar o apego excessivo ao materialismo me ensinou a valorizar o essencial da vida e a me conectar com meu espírito.

Se nos deixarmos levar pela frivolidade da vida, herdaremos na maturidade o vazio representado pelo fastio, a insatisfação, o ceticismo e a desorientação. (A Herança de Si Mesmo, González Pecotche, p. 18).

 

É a “doença do vazio”. Claro que possuir conforto no âmbito material é importante, mas não se pode resumir tudo a ganhar dinheiro. Existem pessoas que passam a vida pensando apenas em acumular riquezas. Quando chega a velhice, perguntam–se: o que fiz durante a vida? Nada. O ouro, então, torna-se objeto de disputa e desfrute entre herdeiros.

 

Estou me esforçando para dominar e controlar melhor meus instintos, pois sem isso o aperfeiçoamento pessoal é impossível. Os pensamentos instintivos são os que mais levam o ser humano a cometer erros, pois eclipsam a razão e nos fazem agir de forma impulsiva. Hoje consigo fazer mais uso do meu raciocínio e do pensamento consciente, o que tem me permitido viver orientado por um sentido mais elevado, com aspectos transcendentes e de natureza espiritual. Sinto mais equilíbrio; os problemas diminuíram e, por força da Lei Universal de Correspondência, tudo muda, tudo se transforma. O ceticismo cede lugar à fé em si mesmo, a confiança em si mesmo, ao bastar-se a si mesmo. Não serei livre enquanto for escravo de pensamentos alheios, de crenças e de preconceitos. 

Por fim, como nos ensina González Pecotche:

O homem, valendo-se de seu espírito, pode mudar os estados de sua consciência, o que implica, tacitamente, trocar uma vida por outra de maior hierarquia moral e espiritual. (O Senhor de Sándara, p. 473/474).


Um pensamento de

 Lauro Laertes de Oliveira
Lauro Laertes nasceu em Palmas-PR, é magistrado, casado e pai de uma filha. Estuda e é docente da Fundação Logosófica em Curitiba desde 1999.

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