Quando meu esposo começou a estudar Logosofia, dizendo que queria se aperfeiçoar como ser humano e ter mais recursos para colaborar na educação de nossos filhos, eu achei ótimo! Via nele muitas coisas que poderiam, de fato, ser melhores…
O tempo passou e ele realmente começou a mudar. Saía de casa, às vezes, apressado ou nervoso, e voltava feliz, calmo, sorridente. E eu, inquieta, me perguntava: como pode? Saiu nervoso e voltou feliz? Achava aquilo muito estranho, mas, ao mesmo tempo, sentia-me muito feliz por observar e desfrutar das mudanças positivas que já via nele.
Passaram-se dois anos e eu me sentia inspirada por todas as mudanças que observava nele e no próprio ambiente do nosso lar. Percebia as transformações nele e, ao olhar para mim, via que tudo continuava igual… Então, falei para ele que, quando houvesse alguma atividade na Fundação Logosófica, eu também gostaria de ir e conhecer.
Logo fui convidada para uma palestra na qual foram abordados temas como convivência, tempo, aperfeiçoamento individual e superação. Ao final, o palestrante projetou na tela a seguinte frase: “Coloque-se na agenda!”
Essa frase teve um impacto muito forte sobre mim naquele momento. Via-me correndo de um lado para o outro, atendendo a todos ao meu redor e, ao mesmo tempo, sem conseguir priorizar minhas necessidades como ser humano, mãe e esposa. Sentia a angústia de ver meus propósitos sendo postergados, de perceber que não conseguia mudar certas condutas, de continuar com muitas perguntas sobre Deus, sobre a vida, sobre o seu sentido. Pressionada pelo tempo, via a impaciência e a intolerância manifestando-se livremente em minha conduta diária.
Quão benditas são as boas decisões! Hoje, estudando Logosofia, tenho aprendido a organizar melhor minha vida e a não viver escravizada pelos compromissos de toda ordem. Estou aprendendo a ser dona do meu próprio tempo, organizando a minha mente, realizando um processo, reeducando-me para ser uma pessoa mais equilibrada, tranquila e capaz de ampliar minhas compreensões sobre as inquietudes que trazia dentro de mim.
Tenho compreendido com meus estudos que a melhor forma de utilizar o meu tempo é empregá-lo em coisas úteis, que tempo é vida e eu não posso desperdiçar nem tempo e nem vida. Aquela música “deixa a vida me levar, vida leva eu…” já não é mais uma realidade para mim. Já não vivo no automático, sem questionar ou me aprofundar em minhas experiências.
Assim, desde que tomei a decisão de me colocar na agenda, venho me dedicando a realizar um processo de evolução individual e consciente, buscando superar imperfeições psicológicas, como a pressa, a intolerância, a brusquidão, entre tantas outras que aparecem quando a mente está sob pressão. Organizando meu tempo e minha vida, sinto que ambos se ampliaram, e é muito especial a sensação de sentir a vida como algo próprio, algo que vai sendo construído diariamente.
Hoje, além de atender à minha própria realidade interna, sinto-me também muito mais apta a colaborar com as pessoas ao meu redor, não como uma obrigação, mas como uma necessidade profunda e consciente de ser útil ao semelhante. Dar do meu tempo é algo importante, mas, quando esse tempo também leva conhecimentos, sinto que essa ajuda se torna muito mais ampla e efetiva; afinal, não se pode dar o que não se tem.