O vocábulo liberdade, tão discutido e valorizado, envolve um conceito difícil de entender em sua verdadeira essência. Sabemos que o maior equívoco decorrente desse conceito é supor que “Liberdade é fazer tudo o que se quer e tudo o que dá vontade”. Confesso que, antes de aprofundar meus estudos, muitas vezes caí nessa ilusão. Porém, quem decide colocar essa forma de entender à prova descobre rapidamente o equívoco ao colher resultados indesejados.
O que aumenta ainda mais a dificuldade de entender a fundo esse conceito é o fato de que o ser humano é um indivíduo autônomo e extremamente complexo em suas duas naturezas: a física e a espiritual. Além disso, o homem foi colocado em um mundo pouco conhecido em sua face imaterial, e a vida o desafia constantemente, de múltiplas formas.
Quase a todo momento sou chamado a fazer uma escolha ou tomar uma decisão. E, então, surgem as dúvidas: o que é certo? O que é melhor? Mais ainda: quem possui verdadeira consciência ao decidir? Graças aos conhecimentos que venho adquirindo na Logosofia, compreendi que, embora eu tenha inteira liberdade de opção e decisão, não posso escapar das consequências — boas ou más — de minhas próprias ações, pois atua sobre mim uma outra Lei: a de Causas e Efeitos.
Há outro aspecto do verdadeiro conceito de liberdade que precisei examinar e ter em conta, já que tem sido a causa de desvios que levam a situações angustiantes. Trata-se do abuso que muitos seres cometem, excedendo a prerrogativa de sua liberdade e pretendendo tirar a liberdade do semelhante. Esse grave erro tem se repetido na história da humanidade.
Mas a aplicação desse conceito em minha vida foi além. Descobri que a vida interna tem uma prerrogativa particular e especial: o recolhimento do ser em si mesmo. A Logosofia me ensinou que meu mundo íntimo é um lugar ao qual somente eu tenho acesso, e onde ninguém mais pode entrar, por proibição expressa dessa mesma Lei Suprema. Entendi que meu foro íntimo deve ser sagrado e inviolável, e que cabe apenas à minha própria vontade exteriorizar ou não o que penso e sinto.
Considerando isso, percebi que não basta cuidar e defender a liberdade física; é imprescindível cuidar e defender também a liberdade mental. Tenho me esforçado para defender a própria mente de crenças paralisantes e preconceitos que obstruem e travam o movimento das minhas faculdades. Ao limpar a mente dessas travas, sinto que minha inteligência atua com inteira liberdade, encontrando melhores resultados para os problemas que surgem diariamente.
É possível viver desfrutando de plena liberdade, sem restringir a do outro, se aplicarmos também o conceito de responsabilidade, que deve caminhar ao lado dela, como se fosse sua sombra.
Por fim, algo que nunca deve faltar quando se fala e se pensa em liberdade é o cuidado com a própria conduta. Todos sabemos que o pior castigo imposto para quem infringe as leis humanas é a perda da liberdade física. Mas as leis universais, como tenho aprendido, sancionam os erros de diversas formas, sempre com o propósito de conduzir o homem na direção do certo, do bem e da verdade.
