Hoje acordei cedo, um dia de céu claro. Abri a janela e senti uma brisa de temperatura amena. Respirei fundo e pensei no dia que estava por vir. Desfilaram imagens na “tela mental”: o trabalho, os compromissos sociais, a família… Recordei que me foi ensinado que a cada dia acordamos com a oportunidade de viver uma vida nova, como se nascêssemos de novo.
Viver é uma grande oportunidade, e devo descobrir, em cada situação, um novo motivo de superação, para assim realizar um processo de evolução consciente. Inspirado por esses pensamentos, me dispus a viver este dia com mais leveza, suavizando as lutas do cotidiano. Senti então uma crescente sensação interna de otimismo e alegria, e disse a mim mesmo: hoje será um bom dia!
Na noite anterior, havia realizado o saudável exercício recomendado por González Pecotche no livro Bases para Sua Conduta. Já deitado, passei em revista o que havia feito naquelas últimas vinte e quatro horas. Em que pese as dificuldades e preocupações comuns, concentrei-me em identificar o que havia realizado de bom para minha vida e para a das pessoas que me rodeiam, enquanto cumpria minhas atribuições: consegui ser mais simpático? Fui benigno e construtivo no uso de minhas palavras? Esforcei-me para ser mais amplo e generoso em minhas atitudes?
Assim, nesse solilóquio, alinhei dentro de mim os pensamentos que gostaria que me acompanhassem no dia seguinte: simpatia, respeito, generosidade… Adormeci, então, com outro estado de espírito e, guiado pelo pensamento que me acordaria no dia seguinte, a indagação surgiu naturalmente: como posso ser melhor amanhã?
Nem sempre foi assim… Anos atrás, acordaria sem pensar em nada, olharia para o relógio e, apressado, com receio de me atrasar, contaria os dias para a semana terminar. Entraria na correria, café na mão, para cumprir minha agenda de trabalho. Entretanto, bastaria uma fila maior no caixa do mercado ou um caso difícil para resolver no trabalho – qualquer coisa que afetasse minimamente minha conveniência, ou meus caprichos – e pronto! O mau humor dominaria minha conduta pelo resto do dia.
Se prestasse bem atenção, poderia ouvir ressoar no meu interno o pensamento: “O mundo está contra mim hoje”.
Não mais. Uma vez identificado que a impaciência com essas pequenas coisas tornava minha fisionomia antipática e influenciava meus mais nobres propósitos, criei, com o auxílio do método logosófico, um pensamento para me defender desse precário e frágil estado psicológico: “É o mundo me convidando a mudar”. Para ser melhor, é preciso deixar de fazer tudo sempre igual.
Os conhecimentos logosóficos me permitiram descobrir que dentro de mim há um mundo de desejos, sugestões, sentimentos e sensações que antes passavam despercebidos. Entendi que vivo em um mundo onde imperam os pensamentos, e que eles estão dentro de mim a todo momento, disputando minha atenção e exigindo um pedaço do meu tempo, um fragmento da minha vida. Ao ignorar essa realidade, eu me dirigia docilmente para onde os ventos desses pensamentos me levassem. O jogo só virou quando compreendi que sou eu quem decide se e quando eles podem ocupar espaço em minha mente. Foi, sem dúvida alguma, a decisão mais importante que tomei na vida: salvar-me desse destino “comum” e incerto, e retomar a condução do meu próprio destino.
Compreendo que esse é um dos trabalhos mais transcendentes que a Obra Logosófica busca estender pelo mundo: que cada um possa ser livre e aprenda a pensar por si mesmo. Assim como eu, anelo que cada um possa trilhar esse caminho para libertar-se dos pensamentos que oprimem a vida e nos transformem em “homens-massa”, e que possa criar os próprios pensamentos, recuperando a própria individualidade.
