Durante a viagem, que duraria cerca de sete horas, logo no início, ao verificar as mensagens no meu celular, apareceu uma solicitação urgente: o envio de cópias de documentos. Com as curvas da estrada e o movimento do carro, a tarefa tornava-se difícil de executar. Depois de várias tentativas de copiar os documentos solicitados, o condutor do veículo começou a se irritar e questionou, de forma alterada, se aquilo precisava ser feito naquele momento. A situação acabou gerando um clima de animosidade.
Pensei na necessidade de frear os pensamentos alterados de nós dois, para evitar que causassem ainda mais dificuldades e perturbações. Comecei, então, a refletir, como ensina a Logosofia:
O homem reflexivo rara vez se deixa levar por seus pensamentos, e até nos momentos mais críticos costuma amparar-se na serenidade, para não atuar levado por nenhum impulso, ou seja, sob a sugestão de pensamento algum ao qual não tenha concedido, por íntima relação com ele, sua confiança e seu prévio consentimento em tê-lo como solução. (Logosofia, Ciência e Método – Lição IV: Os Pensamentos, p.69, §1º)
Momentos depois, apesar dos desafios, senti em mim a necessidade de dissipar o gelo no ambiente; afinal, o condutor desconhecia o motivo do envio dos documentos por mim naquele momento. Após a explicação, ele compreendeu a urgência, e os ânimos voltaram ao normal.
Muitas vezes, na ânsia de resolver uma situação, presume-se que o outro adivinhe o que se passa em nossa mente ou o que se pretende com determinada atitude. Compreendi que isso acabou provocando um desalinhamento desnecessário dos pensamentos.
Ao entender que a razão estava presente em ambos – tanto em quem fala quanto em quem escuta –, foram evitados desentendimentos e discussões, abrindo caminho para uma comunicação mais harmoniosa dentro do carro.