O que o envelhecer tem a ver com a morte? Tudo na natureza cumpre processos. A história natural da vida é nascer, crescer, realizar, envelhecer, morrer. Sendo assim, envelhecer seria um preparo para morrer?
As pessoas que consideram o Tempo um inimigo poderiam dizer que ele é uma doença que aflige a todos, inexorável e voraz. O Tempo alcança até mesmo os mais sadios, os mais atléticos e os de dieta mais correta.
E isso é motivo para não cuidar do “carro”? Deste veículo de carne e osso que vestimos? Se existe um Tempo tempo a ser cumprido enquanto ente físico, então descuidar dele significa descumprir com um mandato da natureza.
Na outra ponta, há quem tente manter o carro novo a todo custo, transformando as horas testemunhas de um objetivo tolo. Mas para que ter mais horas, mais vida, se elas não geram frutos de valor – frutos com sabor de eternidade.
A Sabedoria Logosófica ensina que é preciso aprender a ser amigo do Tempo e fazer das horas um tempo útil e profícuo de aprendizado.
Logo, vemos que negar a morte e o envelhecimento implica também o descumprimento das leis que regem a existência humana – leis que atuam à revelia da origem, nacionalidade, gênero, idade ou etnia. Quais seriam, então, as consequências de seguir por esse descaminho? E quais seriam os louros de atuar, ser e estar – e não apenas parecer – de acordo com essas leis?
Existem pessoas que caminharam pouco e demonstram cansaço – um cansaço que vai além do físico, mesmo com o corpo descansado. Cansadas de viver. E existem outros que desvendaram a beleza da vida e que, apesar do cansaço do corpo e do desgaste físico imposto pelo tempo, conservam olhos brilhantes e serenidade no semblante. Estas souberam ampliar a vida muito mais do que aquelas que apenas cuidaram do “carro”.
Como é o anoitecer daqueles que souberam produzir momentos eternos? O que é fechar os olhos diante – e depois – de ter vivido tudo isso?
