Autoconhecimento

Como encontrar o “nexo de união e conciliação” dentro de si mesmo

janeiro de 2025 - 5 min de leitura
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Como encontrar o “nexo de união e conciliação” dentro de si mesmo

janeiro de 2025 - 5 min de leitura

Tenho aprendido que esse “nexo de união e conciliação” deve começar dentro de si mesmo. Do contrário, não é possível estabelecer com outros uma conciliação com objetivos permanentes. Como pode haver harmonia entre duas partes, se dentro de uma, ou de ambas, existem conflitos que impedem a liberdade de pensar?  

Mas o que significa para o ser humano a busca da união dentro de si mesmo? 

Significa realizar um processo de evolução consciente ou, em outras palavras, criar a própria individualidade. Todo elemento vivo sobre a Terra tem a função de evoluir, mas o ser humano é o único que tem o privilégio de realizar isso conscientemente, ou seja, com o conhecimento de si mesmo e das duas naturezas com as quais foi dotado: a física e a espiritual. Essas naturezas deveriam estar unidas, mas, ao longo de seu percurso evolutivo, o ser humano tem distanciado uma da outra.  

Em que consistem essas duas naturezas? 

A natureza física compreende uma parte biológica, com seus sistemas e mecanismo, e uma parte psíquica, que se resume na alma, com seus sistemas e mecanismo. A parte psíquica, ou alma, movimenta e desenvolve os três sistemas que a compõem: o mental, o sensível e o instintivo. A organização desses três sistemas é um dos grandes objetivos da Logosofia, pois sem ela não é possível a aproximação entre as duas naturezas. A alma, por sua constituição, é inseparável do ser físico e, portanto, perecedora. 

A natureza espiritual compreende o espírito de cada um, distingue-se da natureza física por ser incorpórea e imperecedoura. O espírito é a nossa parte que quer o bem e instiga-nos à busca de conhecimento e de superação. Todas as experiências e realizações nesse sentido trazem uma alegria interna especial, que perdura. Pode-se também sentir que o espírito se manifesta nos momentos de sofrimento, dando-nos força e alento.  

Por que o ser humano tem distanciado a sua natureza física da espiritual? 

Ao longo do seu percurso evolutivo, o homem tem, sem dúvida, deixado um maravilhoso legado de grandes realizações no campo das artes e das ciências. No entanto, o que tem realizado em termos de conhecimento de si mesmo? O que tem feito para ser melhor para adquirir sabedoria, para trazer uma realidade superior à sua vida? Em sua longa jornada, o homem tem vivido voltado para fora de si mesmo, negligenciado o seu mundo interno e seguido conceitos equivocados. Muitas vezes, ele tem relegado ou até negado uma parte essencial de si mesmo: o próprio espírito. Indiferente ao seu espírito, o ser humano foi cometendo erros que se reproduziram através das gerações, formando as deficiências e dando origem à personalidade.  

Se a individualidade está associada à evolução consciente, e se a personalidade está associada às deficiências, como definir com clareza cada um desses termos? Qual o conceito logosófico de individualidade e de personalidade? 

O conceito parte da origem das palavras. A palavra individualidade tem dois radicais: indivi (indivisível) e dualidade (dois), quer dizer, as duas naturezas (física e espiritual) unidas. A palavra personalidade tem origem em persona, máscara, utilizada pelos antigos romanos em suas apresentações teatrais; ou seja, algo externo ao indivíduo. Olhando somente para o exterior, o ser humano está constantemente em busca de se mostrar melhor do que os demais. A personalidade é formada por um conjunto de deficiências, como ambição, vaidade, presunção, egoísmo, entre outras. 

No processo de criação da individualidade, o ser humano aprende a organizar seus sistemas mental, sensível e instintivo. Aprende a unir sensibilidade e mente, equilibrando os três sistemas. Pode assim, aos poucos, fazer com que o espírito participe de sua vida. Com a união e harmonia interna, poderá haver união entre os seres humanos. A personalidade, pelo contrário, separa mente e sensibilidade, promovendo reações instintivas, nas quais não atuam os sentimentos nem a inteligência. O resultado disso são atritos e desentendimentos entre as pessoas. Em suma, a individualidade une, enquanto a personalidade desune. 

Como formar a individualidade, ou, em outras palavras, como promover a união entre a natureza física e a espiritual? 

  • A individualidade vai sendo formada à medida que se cria o ambiente propício ao espírito. É um labor que cada um precisa realizar em si mesmo, mas isso não significa que seja feito isoladamente. Pelo contrário, o intercâmbio de compreensões e experiências é indispensável para que se possa aperfeiçoá-lo, dando continuidade ao que se realiza e mantendo objetivos elevados.  

Tenho aprendido que a observação e análise da própria conduta é o maior exercício espiritual que se pode realizar. Seguindo as indicações do método logosófico, criei o hábito de rever à noite o que vivo durante o dia. Essa revisão é um colóquio com a minha consciência. É o exame da minha conduta diante de uma tábua de conceitos e valores, seja diante da minha conduta interna, dos movimentos dos meus pensamentos e sentimentos, quanto da minha conduta externa, daquilo que eu disse e fiz. Daí resultam o que preciso corrigir, o que quero cultivar e as decisões que tomo.  

Com esse exercício, vou aos poucos organizando meu sistema mental. No início dos meus estudos, descobri a enorme diferença que fazia no meu dia a dia observar a diferença entre aqueles pensamentos que entravam e saíam da minha mente, independente da minha vontade, sem passar pelo crivo da inteligência, e os pensamentos sobre os quais eu refletia. Passaram a ser outro mundo, outra vida.  

Descobri que quando refletia, quando a inteligência era movimentada, a sensibilidade aflorava. Com essa experiência vim a compreender que a união entre mente e sensibilidade dependia de mim mesma. Até então, eu atribuía tudo aos fatos e circunstâncias que se apresentavam, ou seja, ao que estava fora de mim. Assim, ficava tudo ao acaso.  

Com essas observações do meu campo mental e sensível, descobri, sem dúvida, uma chave. No entanto, as mudanças não são rápidas. A organização do sistema mental faz parte de um processo e requer conhecimento, empenho e constância. As deficiências não cedem espaço mental com facilidade; além disso, nos momentos de aflição surgem toda sorte de pensamentos maus conselheiros. 

Por outro lado, tenho aprendido a valorizar as pequenas conquistas, pois elas trazem muito estímulo. Tenho também aprendido que é necessário estar serena ao colocar a minha conduta diante da tábua de conceitos e valores, pois as aflições impedem que se possa pensar. Observo que os conhecimentos que venho adquirindo estimulam os movimentos da inteligência e aumentam a percepção do que a minha sensibilidade capta.  

São muitos os elementos que têm enriquecido a minha vida, buscando criar na alma o ambiente adequado ao espírito. Talvez eu possa resumir dizendo que me tenho tornado mais consciente do que penso, sinto e realizo, e que o processo de aproximação entre alma e espírito traz uma sensação de inteireza, de integridade e de bem estar.  


Um pensamento de

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