Muito se tem discutido sobre a verdadeira origem do ser humano. Alguns buscam a pedra filosofal; outros, os portais da sabedoria, percorrendo inúmeros caminhos e experiências. A realidade, porém, é que todos nós atravessamos este mundo carregando uma grande quantidade de inquietudes de ordem material, psicológica e espiritual.
A “doença do vazio”, descrita pelo humanista Carlos Bernardo González Pecotche, demonstra, de forma inequívoca, a necessidade do conhecimento causal, que permite acessar elementos que, quando aplicados ao mundo interno, podem conduzir à descoberta de respostas adequadas e ao método necessário para empreender um verdadeiro processo de superação, associado ao processo de redenção de si mesmo. Isso culmina na criação da própria individualidade, cuidadosamente cultivada por uma consciência transcendente.
Na minha infância, havia em mim uma predisposição para fazer o bem e auxiliar as pessoas. Em meus voos imaginários, eu me transportava a lugares maravilhosos, onde podia voar livremente e criar elementos belos para presentear meus familiares. Esses impulsos me levaram a estudar e a explorar vários ramos do saber. A Medicina me permitiu conhecer melhor o ser humano em sua composição biológica, fisiológica e celular. A cada descoberta, meu respeito por essa criação maravilhosa só aumentava.
Foi uma busca incansável pelo conhecimento. Tive diversas experiências e me deparei com situações para as quais não encontrava respostas nem podia comprovar o que estudava ou pesquisava.
Essa busca pela perfeição me levou a escalar muitas montanhas, em busca de mistérios insondáveis para a alma humana.
Quando estava próximo dos 33 anos, me foi apresentada a ciência logosófica. Já estava com parte da minha vida resolvida, com “mãos calejadas” – no sentido figurado – pela busca do conhecimento. Após a leitura de dois livros e, principalmente, de uma frase que me impactou profundamente – “deveria ser redentor de mim mesmo” –, muitos pontos obscuros começaram a se iluminar em minha mente. Minha consciência sinalizou tratar-se de algo a ser levado a sério.
Refleti sobre essa frase, e ela fez muito sentido: ser meu próprio redentor, ser responsável por meus atos, superar-me a cada dia em todos os sentidos e buscar a plenitude de consciência por meio do conhecimento. Tudo isso pela aplicação das diretrizes dessa ciência original, oferecida pela escola de adiantamento mental.
Até então, a lógica e a sensibilidade me aprovavam e me sustentavam com equilíbrio. Nesse momento de reflexão mais serena, perguntei-me: como a superação poderia me apontar o norte da minha jornada de retorno ao mundo espiritual, ao mundo do Criador e ao próprio Criador?
Recordei também de uma citação dessa mesma ciência, a qual afirma que, para conhecer o autor de uma obra, é necessário conhecer a sua obra. Pensei então: se é possível ser meu próprio redentor, realizar um processo de superação, criar minha própria individualidade e, nesse ato criador, espelhar-me na Ciência Original em busca da Verdade Universal, então estarei me aproximando do Criador e tornando-me criador de mim mesmo.
A partir desse ponto, as reflexões tornaram-se cada vez mais profundas, e o conhecimento de mim mesmo passou a se tornar cada vez mais claro e evidente. Tempo e espaço começaram a me oferecer múltiplas e transcendentes possibilidades.
