Por muitos anos, eu vivi buscando manter todos os meus dias e a minha atenção frequentemente ocupados, não pela consciência da importância da atividade constante e do bom aproveitamento do tempo para a vida, mas como uma forma de fugir de mim. Eu não conseguia ficar sozinha por muito tempo, pois havia uma ansiedade e um ruído interno perturbadores.

Assim, apesar de muitas vezes sozinha e sem “nada” para fazer, eu estava sempre buscando me distrair com algum filme, com alguma conversa, para evitar ouvir o que eu estava sentindo. O desconforto era tão grande que não era raro eu ter a sensação de querer sair de mim mesma.

Quando comecei a estudar Logosofia, fui apresentada a esse meu mundo interno, do qual por tanto tempo quis fugir. Com muito afeto, tolerância e conhecimento, fui sendo guiada a esse mergulho para dentro de mim mesma e comecei a me interessar por tudo o que essa voz interna tanto queria me dizer.

O ruído era alto, eu mal conseguia escutar essa voz. Fui ensinada sobre a realidade dos pensamentos, os grandes causadores de todo esse barulho, e num exercício constante de identificação e seleção dos melhores pensamentos, parei de fugir e comecei a encarar de frente essa luta por reconquistar o meu mundo interno, que havia sido ocupado por pensamentos de todos os tipos.

O método logosófico me ensinou as regras do jogo da vida, e com isso tomei gosto pela luta. Antes era sofrido, pois essa luta chegava a ser desleal. Eu não conhecia as regras e nem as armas que tinha, então caía sempre vencida, ou seja, dominada por pensamentos contrários ao meu próprio sentir, que me causavam mal. Cada pensamento que eu consegui superar e limpar da impureza que trazia foi tornando o meu mundo interno um local agradável, seguro e belo.

Ao reconquistar o domínio desse mundo, ele passou a ser próprio, passou a ser meu. Hoje cuido dele com muito zelo, para que entrem apenas pensamentos afins com os meus propósitos. São pensamentos que me ajudarão a alcançar uma conduta que leve sempre o bem. Que me ajudam a gerar energias a seguir em frente. Enfim, pensamentos que me inspiram e que colaboram com a realização dos meus sonhos em direção a um futuro melhor para a humanidade.

Assim, se antes eu passava os dias buscando barulhos externos que me ajudavam a fugir de mim mesma, hoje tenho em mim o meu maior refúgio e o meu porto seguro. É para lá que eu vou quando estou muito feliz, para não desperdiçar energias com um entusiasmo desmedido, e é para lá que eu vou também em busca de respostas e soluções, quando algo não vai bem.

Aquela voz que antes me perturbava, hoje se transformou em uma grande conselheira e eu não preciso mais fugir de mim mesma, pois encontrei dentro de mim uma grande e agradável companhia.

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