Comportamento

Equilibrando a paciência

março de 2025 - 3 min de leitura
Comportamento

Equilibrando a paciência

março de 2025 - 3 min de leitura

Vira e mexe somos colocados à prova no quesito “paciência”.  

Inúmeros e corriqueiros são os episódios em que nos flagramos (ou somos flagrados) chiando, “cuspindo marimbondo”, explodindo, ou de qualquer outra forma que seja chamada a tão conhecida e famigerada impaciência!… 

Mesmo os mais pacientes têm um calcanhar de Aquiles. Há dias em que acordamos “daquele jeito” e não há como aturar, justamente, nesse momento, isso ou aquilo acontecendo. Paciência tem limites, não é o que se diz? 

Fico perguntando-me, então: de que vale possuir uma virtude como a paciência, neste caso, e, ao mesmo tempo, ficar à deriva das intempéries normais de um dia atribulado que todos enfrentamos invariavelmente? Uma virtude, no conceito mais puro da palavra, deve sofrer contaminações? Ou será que o que temos ainda não é a virtude propriamente dita, mas um arremedo dela que, tênue, precisaria se fortalecer e se solidificar em nós? Aí, sim, teríamos realmente condições de optar entre agir com a deficiência da impaciência ou com a virtude da paciência.  

Admiro quem consegue equilibrar-se numa corda bamba — ou flexível, se preferirem. Assim é o slackline, uma modalidade esportiva que exige muito esforço, postura e concentração mental. Também é necessário ter uma boa dose de paciência!  Com a corda a um palmo e pouco do chão, há quem se arrisque, como eu, a buscar um equilíbrio por alguns poucos momentos. Afinal, qual o risco, se podemos pular para a segurança do solo rapidamente?  

Porém, o desafio de caminhar sobre uma corda assim, a alturas impensáveis e com a destreza requerida, somente é vencido por aqueles que tiveram a paciência de aprender e desenvolver a prática. Por mais que admiremos ou até queiramos, quando ficamos inertes, nada se modifica em nossa capacidade. É a paciência passiva que nos alimenta a ilusão de que as coisas podem resolver-se por si sós, por puro acaso. 

Para que a paciência seja um elemento favorável ao êxito em qualquer campo de nossa vida, é preciso que seja ativa.  

A paciência ativa a inteligência do tempo, devendo-se entender, é lógico, que nos referimos à paciência de quem sabe esperar.1 Como no exemplo do slackline, saber esperar exige aprendizado, exercício, esforço e treino contínuo. Com a aquisição de virtudes, sejam elas a paciência inteligente, a tolerância, a prudência ou quaisquer outras2, também deve ser assim. A dificuldade em perceber essa realidade pode levar-nos às vias da inconsequência, fazendo-nos negligenciar a própria vida como um campo de aprendizado e superação. 

Os melhores êxitos que o homem já pode ter, na conquista do bem, foram graças a essa paciência ativa manifestada em sua perseverança, seu labor ininterrupto, sua consagração, e graças também a essa fé consciente que se vai arraigando na alma mercê das próprias constatações.


Um pensamento de

 Raquel Tinoco Néris
Raquel Tinoco, servidora do TJMG, nasceu em Belo Horizonte, MG e cursou Direito na UFMG e Psicologia na PUCMG. Casada, possui 2 filhos. Estuda e é docente de Logosofia em Belo Horizonte desde 2008.

Você também pode gostar

Comportamento

A paciência na vida do adolescente por Elmo Patrus, Ian, Júlia Candiani e Antônio Cabral | Logosofia

Os adolescentes Júlia Candiani, Elmo Patrus e Ian Soares Veiga conversam com o experiente Antônio Cabral sobre a paciência e a construção da vida com auxílio da Logosofia.

Comportamento

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar?

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Uma oportunidade pode ser apresentada duas vezes na vida? Neste artigo, Pedro Oliveira conta uma experiência em que superou sua conduta e cultivou valores como ...

Comportamento

Dá para mudar o mundo?

Quem nunca se perguntou se nasceu na época ou no mundo errado? Foi essa a sensação que o autor teve na adolescência, ao notar que não se encaixava nos padrões de sua geração. Por pensar difere...