Explicações iniciais

O estado Brasileiro divide seu governo por meio de três poderes, o executivo, legislativo e o judiciário.Cada um destes tem sua função disposta na própria Constituição Federal. De dois em dois anos, temos a oportunidade de renovar os membros dos corpos executivo e legislativo para uma nova gestão com duração de quatro anos e assim, novos governantes assumem seu posto e passam a legislar e a executar políticas públicas em seu plano de governo.

Por vezes, me pergunto sobre qual é a relação disto com a minha própria vida.

  • Quem governa e dita os princípios sobre os quais minha vida deve se reger?
  • Será que sou eu mesmo?
  • Ou será que existem governantes ou forças que governam e que eu muitas vezes não consigo identificar?

Às vezes reflito e chego a conclusão que muitas das ações que tomo em no dia-a-dia são motivadas por fatores externos que não necessariamente estão conectados com o que eu de fato quero. Ou seja, nem sempre sou eu quem estou no governo.

Quem está governando minha vida?

Venho de uma geração que desde a infância foi intensamente impactada pelos avanços tecnológicos e que teve, desde muito cedo, acesso a recursos tecnológicos que meus pais, por exemplo, nem sonharam em ter. Quando criança, por exemplo, já contava com a tecnologia para estudar, tendo acesso a enciclopédias eletrônicas com um amplo acervo de conhecimento, e me divertir, através dos jogos eletrônicos que jogava e que preenchiam uma grande parte de meu tempo livre.

Com a chegada da adolescência, a tecnologia passou a ser utilizada como ferramenta de interação social, principalmente com o surgimento das primeiras redes sociais que ainda impactam a forma pela qual nos relacionamos com nossos amigos e amigas, namorados e namoradas e familiares. É difícil imaginar hoje como eram nossas amizades sem a possibilidade de nos comunicar via whatsapp por exemplo.

Mas venho notando que o surgimento das redes criou em mim uma dependência que eu não possuía antes. Aquela mensagem que foi enviada e não teve resposta e aquela foto postada que não teve as curtidas que eu esperava, por exemplo, fazem com que eu me incomode e gaste meu tempo pensando em como os demais me enxergam.

  • E o que significa isso?
  • Será que isto impacta na forma como eu conduzo minha vida?
  • Será que eu não estou vivendo uma vida mais preocupado com o que meus conhecidos estão pensando de mim do que uma vida focada naquilo que eu realmente penso ser importante para mim?

Neste caso, vejo que o governo da minha própria vida está seriamente ameaçado e que, muitas das vezes quem exerce esse governo não sou eu mas sim, o desejo de agradar e ser reconhecido por meu círculo social.

Essa postura já fez com que eu gastasse muito tempo em caminhos que futuramente eu percebi serem estéreis e que me levavam a uma vida de aparências que não estavam conectados com o que eu de fato acreditava ser o melhor para mim.

Como fazer então? Como assumir o governo da própria vida? E mais ainda, como descobrir o que de fato é o melhor para mim?

Equilibrando os campos da vida

As vezes tenho a impressão que com o uso intenso da tecnologia, a velocidade do mundo mudou. E nesse novo mundo, recebemos uma cobrança para obter êxito e sucesso em nossos objetivos pessoais em um ritmo muito mais acelerado do que seria o normal.

Vejo que isso se reflete muito em nossas carreiras e profissões. Me recordo que na faculdade, tínhamos como modelo de profissionais, jovens que com pouquíssima idade conseguiram enorme sucesso financeiro, ao abrir e vender suas startups milionárias ou atingir altos cargos em multinacionais. Tudo isso com pouca idade e menos tempo ainda de experiência profissional.

Ao projetar estes modelos, observei que muitos de nós partiram apressadamente em busca de objetivo semelhante, ignorando que cada um possui uma capacidade individual e que uma série de fatores contribui para esse sucesso meteórico. Assim, muitas vezes já me vi ausente de comemorações com meus familiares, de programas com meus amigos e até mesmo já descuidei de minha saúde física, tudo isso em prol de atingir um sucesso e reconhecimento profissional precoce, de preferência antes dos 30 anos.

Mas será que eu faço isso porque quero? Ou faço isso em função de um modelo que me foi apresentado nos tempos de faculdade?

Tenho aprendido com a Logosofia a olhar para dentro e ver que para além de todo o mundo externo que nos rodeia, temos um mundo interno e que nele está a chave para que eu descubra o que eu realmente quero para minha vida e me defenda das ameaças externas que atentem contra isso.

Ao buscar momentos em que eu olhe para dentro, tenho as condições para refletir e buscar identificar aquilo que eu faço porque eu realmente quero e penso ser o melhor para minha vida e o que se constitui uma pressão externa e estranha a minha vida.

Em um desses momentos de reflexão, identifiquei que por mais importante que a profissão seja em nossa vida, ao me tornar alguém mais capaz e útil no mundo, ela não poderia ocupar o centro de minha vida e que não valeria a pena abrir mão da convivência com meus familiares, amigos e de minha saúde em prol de um modelo de carreira que é muitas vezes imposta por nossa sociedade.

Dessa forma começo a instituir um governo em minha própria vida. Um governo que é governado por mim e que sabe se defender e preservar das pressões externas que nos rodeiam e interferem com tanta força.

Governando minha vida

Voltando às perguntas iniciais vejo que o governo de minha vida deve ser exercido única e exclusivamente por mim. Mas que, para que isso de fato seja uma verdade é necessário se capacitar e adquirir conhecimentos que me possibilitem identificar e construir meus propósitos verdadeiros para a vida e além disso, me defender de todas as influências externas que tanto tentam me fazer desviar daquilo que eu acredito ser verdadeiro e permanente.

Dessa forma, me encaminho para que, pelo menos em minha vida, não haja alternância de poderes e que ela seja conduzida por uma linha sempre definida por meus propósitos mais nobres.