Não poderá haver paz e concórdia enquanto não se reafirme definitivamente no espírito dos homens, sejam do país ou da raça que forem, o princípio fundamental da liberdade individual, que torna possível a manutenção da dignidade humana e permite o livre desenvolvimento da inteligência para os altos fins do progresso e da evolução dos povos.

Privar o homem de suas prerrogativas como tal, esterilizando sua mente, e submetê-lo ao duro transe de afogar dentro de si a força de seus pensamentos e o recurso de suas iniciativas, é negar-lhe toda defesa pessoal e prostrá-lo moralmente na indiferença. Acaso não floresceram as civilizações ali onde o pensamento se educou ao amparo de princípios que garantiam sua livre expressão? Acaso não se tem visto hoje a força enorme que tem o pensamento dos homens livres, que se unem para prestar seus serviços a um fim comum como o é a decisão de lutar e derrotar para sempre os sistemas que reduziram tantos milhões de homens à escravidão?

Se o que hoje se quer – e nisto se têm empenhado as vontades mais fortes dos povos livres – é restituir a liberdade individual aos povos que a perderam, haverá que pensar em assegurar que essa liberdade não possa ser alterada no futuro por nenhum excesso nem por nenhuma restrição; ou seja, se deverá entender a liberdade como uma expressão ampla e manifesta da consciência de cada indivíduo, que será o primeiro guardião dessa independência, não a alterando ao pretender, por exemplo, usurpar direitos do semelhante ou privá-lo da livre manifestação de seu pensar e sentir.

Não obstante, está visto que não é aí que reside o perigo, uma vez que isso já está contemplado nas leis do Direito. O perigo está em que os pensamentos de absolutismo se manifestem e ganhem forma na mente dos que se achem no poder, seja esse da qualidade que for: político, econômico, religioso, etc., pois bem se sabe que é ali, nessas posições circunstanciais em que se encontra o homem, que ocorrem ou podem ocorrer mudanças de pensamento que decididamente alterem as perspectivas de liberdade individual que até o momento de ocorrerem tais mudanças se desfrutava.

A escravidão mental é o pior dos suplícios que poderia ter um homem consciente e civilizado

pois não pode haver para ele maior tortura, maior escravidão e maior amargura do que privá-lo do dom mais magnífico e sagrado com que Deus o dotou.

Privar o homem de expressar seu pensamento livremente é submergi-lo nas masmorras da ignorância e precipitá-lo em impiedoso desterro de suas convicções, sentimentos e aspirações.

Isso não significa que o direito que deve assistir a todo ser de expressar seu pensamento com inteira liberdade seja utilizado afastando-o das mais elementares normas de educação, decência e honestidade mental, pois se cairia na licenciosidade, nas paixões desenfreadas e antissociais que sempre minam os ambientes e os corroem.

Extraído da Coletânea da Revista Logosofia – Tomo 5, p.79-80

Coletânea da Revista Logosofia – Tomo V

Coletânea da Revista Logosofia – Tomo V

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Carlos Bernardo González Pecotche, também conhecido pelo pseudônimo Raumsol, foi um pensador e humanista argentino, criador da Fundação Logosófica e da Logosofia, ciência por ela difundida. Nasceu em Buenos Aires, em 11 de agosto de 1901 e faleceu em 4 de abril de 1963. Autor de uma vasta bibliografia, pronunciou também inúmeras conferências e aulas. Demonstra sua técnica pedagógica excepcional por meio do método original da Logosofia, que ensina a desvendar os grandes enigmas da vida humana e universal. O legado de sua obra abre o caminho para uma nova cultura e o advento de uma nova civilização que ele denominou “civilização do espírito”.

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